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Sistema Cantareira termina o verão no nível mais baixo em dez anos, desde a crise hídrica

Desde a pior crise hídrica do estado de São Paulo, dez anos atrás, o sistema Cantareira não terminava o verão em nível tão baixo quanto este ano. De acordo com o monitoramento realizado pela Sabesp, nesta quinta (19), o principal reservatório da região metropolitana da capital estava com apenas 42,7% de sua capacidade.

Em 2016, quando o sistema ainda se recuperava da estiagem histórica, o nível era de 33,8%. Desde então, a menor marca foi registrada em 2022, com 45%. E o pior é que o volume vem caindo continuamente desde 2023, quando estava em 79,6%, passando para 76,7% em 2024 e 58,9% em 2025.

E como o Cantareira abastece cerca de 50% dos domicílios da região, sua baixa também influencia todo o SIM (Sistema Integrado Metropolitano), composto por outros seis sistemas: Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço.

Nesta quinta, o SIM estava com 55,7% do seu volume, contra 46,5% em 2016.

Nos últimos anos, a Sabesp, responsável pela distribuição de água e tratamento de esgoto no estado, realizou várias obras de resiliência para integrar os reservatórios da região metropolitana e reduziu a pressão da água nos canos para manter os níveis dos mananciais. No entanto, tudo isso não foi suficiente para a recuperação total dos reservatórios, mesmo com as chuvas mais volumosas do verão.

E foi justamente por causa desse cenário nada animador que a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) decidiu, no dia 9 de março, manter a redução da pressão da água no encanamento da região metropolitana em 10 horas, das 19h às 5h.

Na ocasião, embora o SIM estivesse com 50,7% de sua capacidade, o Cantareira estava com apenas 38,2%.

Para tomar as resoluções, como a redução da pressão da água, a Arsesp segue uma tabela de faixas que leva em conta a situação dos mananciais e também a previsão de chuvas. Ela faz parte do novo modelo de gestão integrada dos recursos hídricos, implementado em outubro pela agência em parceria com a SP Águas e a Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística).

Com a redução da pressão adotada em 27 de agosto do ano passado, a Sabesp calcula que 103 bilhões de litros de água foram economizados na Grande São Paulo, o suficiente para garantir o abastecimento da região por 20 dias.

Como normalmente chove menos durante o outono e o inverno, a expectativa para os níveis dos mananciais é pessimista, o que pode fazer com que a situação fique ainda mais complicada até a volta das precipitações mais volumosas, entre outubro e novembro.

“Começamos a estação mantendo características de verão, mas a tendência é de uma mudança progressiva no comportamento da chuva e da temperatura ao longo das próximas semanas, dentro de um padrão mais típico do outono com uma consolidação gradual”, diz Alexandre Nascimento, sócio-diretor e meteorologista da Nottus.

Josélia Palmerim, meteorologista da Climatempo, também não tem uma estimativa otimista para a situação dos reservatórios paulistas.

Ela prevê que a chuva de abril e do começo de maio deve gerar algum ganho de armazenamento nos reservatórios para energia e até no sistema Cantareira. Mesmo assim, os níveis de água não devem superar o que foi observado no ano passado nesta mesma época.

“Vale lembrar que a situação do Cantareira não é nada confortável! A chuva que cair até o começo de maio não deve tirar o Cantareira da situação de atenção! E depois, durante o mês de maio e em junho, a chuva vai parando”, afirma a meteorologista.

A Sabesp afirmou enfrentar um desafio histórico na infraestrutura hídrica da região metropolitana de São Paulo, agravado pela falta prolongada de chuvas e por investimentos que ficaram abaixo do necessário para acompanhar o crescimento urbano.

Com a desestatização, diz a Sabesp, estão sendo antecipados R$ 7,8 bilhões em obras, que incluem ampliação de sistemas produtores, novas adutoras, reservatórios e interligações entre mananciais.

A companhia também afirma investir em outras regiões do estado, como a Baixada Santista, com aporte de R$ 7,5 bilhões até 2029.

Como parte do seu plano de segurança hídrica, a Sabesp assumiu a gestão da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) no dia 23 de fevereiro. Segundo a companhia, essa aquisição permite que ela crie novas fontes de captação, produção e o aumento da capacidade de reservação de água.

“A partir de 2029, com a universalização do saneamento e a consequente melhora na qualidade da água do rio Tietê, será possível voltar a bombear água do Tietê para a Billings, via rio Pinheiros. Esse mecanismo vai elevar o potencial de vazão de água disponível em cerca de 60 mil litros por segundo. Hoje, a produção de água para atender a população da região metropolitana de São Paulo, de 22 milhões de pessoas, é de cerca de 70 mil litros por segundo”, afirma a empresa.

Com a integração dos sistemas Guarapiranga e Billings, além de aumentar a resiliência hídrica, será possível potencializar os usos múltiplos desses mananciais, destaca a empresa

Em novembro passado, a Sabesp iniciou a captação do rio Itapanhaú, em Bertioga, na Baixada Santista, e a transferência para o sistema Alto Tietê, elevando o seu nível em 17%, o que também ajuda no volume total do SIM.

A Sabesp informa ainda que está investindo mais de R$ 5 bilhões em novas obras até 2027, incluindo novas captações e a ampliação da capacidade de tratamento em diferentes sistemas.

noticia por : UOL

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