Professor negro mais jovem de Cambridge é encontrado morto após acusações de plágio


    Jason Arday carrega a chama olímpica no trecho do revezamento entre Sutton e Merton, em Londres, em 23 de julho de 2012
    Joe Giddens/AP
    O sociólogo britânico Jason Arday, que se tornou o professor negro mais jovem da Universidade de Cambridge em 2023, foi encontrado morto nesta sexta-feira (14), em Londres, no Reino Unido. Ele tinha 41 anos.
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    Arday havia renunciado na semana passada ao cargo de professor de sociologia da educação depois de semanas de acusações públicas de plágio e questionamentos sobre informações apresentadas por ele a respeito de conquistas esportivas e arrecadações para instituições de caridade.
    O professor negava ter cometido plágio, mas reconheceu ter cometido alguns erros durante a elaboração do doutorado.
    Mais de 20 acadêmicos e políticos que o apoiavam classificaram as acusações como uma “campanha difamatória” destinada a prejudicar Arday e outras pessoas negras que ocupam “posições de influência”.
    Segundo os jornais britânicos “The Times” e “The Telegraph”, além da BBC e da Sky News, Arday foi encontrado desacordado em uma casa em Battersea, no sul de Londres, na tarde desta sexta.
    A Polícia Metropolitana de Londres informou apenas que um homem de 41 anos foi declarado morto no local. O nome não foi divulgado, seguindo a política da corporação.
    “A morte está sendo tratada como inesperada neste momento, mas não há indícios de circunstâncias suspeitas”, afirmou a polícia.
    Em comunicado divulgado pela editora Simon & Schuster do Reino Unido, a família de Arday disse estar “em choque por ter perdido esse pai, companheiro, irmão, tio e filho incrível”.
    “A campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e sempre queria enxergar o melhor nas pessoas”, afirmou a família.
    Segundo os parentes, Arday foi alvo durante três anos de uma “campanha contínua de ataques” promovida por pessoas que “não deixariam pedra sobre pedra na tentativa de prejudicá-lo”.
    A vice-reitora de Cambridge, Deborah Prentice, afirmou estar “profundamente triste” com a morte. Ela havia anunciado anteriormente que a universidade investigaria as circunstâncias envolvendo a contratação de Arday.
    “Nossos mais sinceros sentimentos à família e aos amigos de Jason Arday neste momento extremamente difícil”, disse.
    Saída de Cambridge
    Agora no g1
    Ao anunciar a renúncia, Arday afirmou que “as acusações incessantes, as especulações e os comentários públicos tiveram um impacto profundo sobre mim e sobre as pessoas que amo”.
    Ele também disse que a saída de Cambridge não deveria “ser interpretada como uma aceitação das narrativas que surgiram a meu respeito”.
    A chegada dele à universidade, em 2023, ganhou destaque por causa da trajetória pessoal do professor.
    Arday dizia ter enfrentado dislexia, atrasos no desenvolvimento e autismo, condições que, segundo ele, fizeram com que permanecesse sem falar até os 11 anos e não soubesse ler e escrever até o fim da adolescência.
    Investigação
    A Universidade de Cambridge, no Reino Unido
    Reprodução
    Os questionamentos sobre as qualificações de Arday ganharam repercussão pública no mês passado depois de serem levantados por Nathan Cofnas, ex-pesquisador de filosofia de Cambridge.
    Cofnas deixou a universidade após críticas feitas por ele a programas de diversidade, equidade e inclusão provocarem protestos.
    Em 24 de julho, o “The Times” publicou uma análise da tese de doutorado de Arday, apresentada em 2015. Segundo o jornal, o trabalho continha vários trechos “idênticos ou quase idênticos” aos de um artigo publicado anteriormente por outro pesquisador.
    A imprensa britânica também levantou dúvidas sobre a afirmação de Arday de que teria arrecadado 5,5 milhões de libras, cerca de R$ 38,8 milhões, para instituições de caridade por meio de desafios esportivos.
    Entre os feitos citados por ele estavam correr 30 maratonas em 35 dias e percorrer cerca de 965 quilômetros em seis dias.
    Dezenas de acadêmicos de Cambridge assinaram uma carta pedindo uma investigação independente sobre a contratação de Arday.
    Inicialmente, a universidade defendeu o professor e afirmou que as acusações de plágio já haviam sido investigadas pela Liverpool John Moores University, instituição que concedeu o título de doutor a Arday.
    Posteriormente, Cambridge mudou de posição e anunciou a abertura de uma investigação após receber “novas informações sobre as qualificações e nomeações honorárias do professor Arday”.
    Nesta semana, Deborah Prentice também anunciou uma revisão dos processos de contratação da universidade.
    A vice-reitora afirmou que os funcionários negros e de outras minorias étnicas de Cambridge são “altamente valorizados” pela produção acadêmica, pelas conquistas e pelas contribuições à universidade e à comunidade científica.
    “Este caso específico é uma exceção e não deve ser usado para lançar dúvidas sobre o trabalho dessas pessoas ou sobre a legitimidade das funções que ocupam em Cambridge”, afirmou Prentice na quinta-feira (13).
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    Fonte: G1

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