Papamóvel de Francisco é transformado em clínica para crianças de Gaza


    Papa pediu que veículo fosse colocado à disposição de Gaza
    Andrew Medichini/REUTERS
    O papamóvel usado pelo falecido papa Francisco em sua visita à Terra Santa, em 2014, foi reapresentado nesta terça-feira (25) como uma clínica móvel infantil que será enviada para a Faixa de Gaza. A medida atende a um desejo feito pelo antigo pontífice antes de sua morte.
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    O Mitsubishi rebatizado de “Veículo da Esperança” foi abençoado nesta terça-feira pelo cardeal Anders Arborelius, bispo de Estocolmo. A cerimônia aconteceu em Belém, na Cisjordânia ocupada, a poucos passos da Igreja da Natividade e da Praça da Manjedoura.
    “O Veículo da Esperança está pronto para sua nova missão. Queremos que cada criança que alcançarmos se sinta vista, ouvida e protegida. Os direitos e o bem-estar da criança vêm em primeiro lugar”, disse o cardeal.
    “Este veículo é um testemunho: o mundo não esqueceu as crianças de Gaza. Isto não é apenas um veículo: é uma mensagem de compaixão, dignidade e esperança.”
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    O veículo continua inconfundível como um papamóvel: branco por dentro e por fora, com a tradicional cobertura elevada. Mas agora ele foi também equipado para exames, diagnósticos e tratamentos, incluindo vacinas, suturas e testes de infecção.
    A clínica móvel deverá realizar até 200 consultas por dia.
    No entanto, ainda não há data para que o veículo receba autorização israelense para entrar em Gaza, onde uma trégua entre Israel e Hamas se mantém desde 10 de outubro, após dois anos de guerra que devastaram o sistema de saúde do território palestino.
    “Estamos trabalhando pelos canais oficiais para levar isso o mais rápido possível” declarou à agência de notícias AFP o secretário-geral da Caritas, Alistair Dutton.
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    O ‘último desejo’ do papa
    Papamóvel usado na Terra Santa virou ‘Veículo da Esperança’
    REUTERS/Mussa Qawasma
    Em maio de 2014, Francisco visitou Amã, Belém e Jerusalém, em sua segunda viagem internacional como pontífice. O papamóvel foi usado enquanto ele percorria Belém, saudando as multidões reunidas na Praça da Manjedoura.
    Presente do presidente da Autoridade Palestina Mahmud Abbas, o Mitsubishi foi posteriormente entregue aos frades franciscanos.
    O papa Francisco morreu em 21 de abril, aos 88 anos, e seu último desejo para as crianças de Gaza era que o papamóvel se tornasse uma unidade móvel de saúde, informou em maio o portal oficial Vatican News.
    O veículo foi transformado pela Caritas, organização católica de ajuda humanitária, ao custo de US$ 15 mil (R$ 619 mil). Ele foi reformado e adaptado por mecânicos palestinos. As laterais abertas foram fechadas com painéis.
    “As crianças de Gaza estavam muito próximas do coração do papa Francisco”, disse Peter Brune, secretário-geral da Caritas Suécia. “Elas se sentarão no assento do papa e serão tratadas como a pessoa mais valiosa da Terra.”
    Papamóvel foi reformado para se tornar em uma clínica móvel em Gaza
    Andrew Medichini/REUTERS
    67 crianças mortas após cessar-fogo
    A agência das Nações Unidas para a infância, Unicef, afirmou na sexta-feira (21) que pelo menos 67 crianças foram mortas em incidentes relacionados ao conflito desde que o atual cessar-fogo em Gaza entrou em vigor, em outubro.
    O exército israelense declarou que estava mirando militantes que representavam ameaça a seus soldados, que ocupam metade de Gaza.
    Francisco frequentemente se manifestava sobre a guerra em Gaza e, em janeiro, chamou a situação humanitária ali de “vergonhosa”.
    Ele também pediu a libertação dos reféns capturados por militantes palestinos, encontrou-se com seus familiares e condenou o ataque do Hamas a Israel, que desencadeou a guerra.
    Ele também se notabilizou por falar por telefone todas as noites com membros da pequena comunidade cristã de Gaza abrigadas na única igreja católica do território durante o conflito.
    Em julho, a igreja foi danificada num ataque israelense que matou três pessoas e feriu várias outras no interior da construção.
    “Sabemos o quanto o papa Francisco amava o povo da Terra Santa, o povo de Belém e, especialmente, o povo de Gaza”, disse o padre Faltas, representante dos frades franciscanos junto aos territórios palestinos.
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    Fonte: G1

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