Ouro da Venezuela pode ir para os EUA? O que se sabe sobre as mais de 30 toneladas bloqueadas na Inglaterra


    Terremotos na Venezuela completam um mês
    O governo interino da Venezuela e a oposição anunciaram neste mês que vão unir esforços para recuperar as reservas de ouro do país bloqueadas no Banco da Inglaterra. A informação veio em meio às primeiras negociações para uma transição democrática no país.
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    O acordo foi anunciado após a primeira rodada de conversas entre os políticos, iniciada em 6 de agosto e realizada com a mediação dos Estados Unidos. O diálogo ocorre 7 meses após a captura do ex-ditador Nicolás Maduro em uma operação militar americana.
    Ao anunciar os resultados da primeira rodada de conversas, Jorge Rodríguez, presidente do Parlamento, afirmou que as partes vão trabalhar para recuperar os ativos depositados no banco britânico.
    No entanto, o anúncio provocou dúvidas sobre o destino das reservas e levantou a possibilidade de os recursos serem transferidos diretamente para os Estados Unidos — o que causou polêmica.
    Na semana passada, o deputado oposicionista Ramón López afirmou que os recursos provenientes do ouro seriam depositados em contas do Departamento do Tesouro dos EUA. As informações foram publicadas pelo jornal venezuelano El Nacional.
    Segundo López, a liberação do dinheiro para a Venezuela dependerá de um planejamento específico e mecanismos de controle.
    O deputado também afirmou que haverá um plano de auditoria realizado por empresas internacionais para garantir que os recursos sejam utilizados de forma adequada.
    Além disso, a proposta prevê que o dinheiro seja utilizado para ajudar na reconstrução de cidades venezuelanas devastadas pelos terremotos de 24 de junho.
    Os recursos seriam destinados a moradias, centros de saúde e escolas nas regiões afetadas.
    Segundo informações do jornal espanhol El País, autoridades britânicas estariam dispostas a liberar os recursos caso seja concretizado um acordo político entre governo e oposição venezuelanos.
    Ainda de acordo com o jornal, a intermediação dos Estados Unidos ficaria responsável por fechar o acordo e assumir o controle do dinheiro para administrá-lo. O uso por parte da Venezuela precisaria ser aprovado pelo Departamento do Tesouro e pelo Departamento de Estado dos EUA.
    A possibilidade de os Estados Unidos assumirem o controle do dinheiro está relacionada à desconfiança da oposição venezuelana em relação à capacidade do governo de Delcy Rodríguez de administrar os recursos públicos.
    Por que o ouro está bloqueado?
    Barras de ouro
    Reuters
    Os lingotes de ouro venezuelanos depositados no Banco da Inglaterra são avaliados em US$ 4,4 bilhões (cerca R$ 23 bilhões).
    A Venezuela não tem acesso aos recursos por uma decisão do Reino Unido, que não reconheceu a reeleição de Nicolás Maduro como presidente da Venezuela.
    A disputa começou em 2019, quando a oposição, que tinha maioria no Parlamento, iniciou um processo para impedir que o governo tivesse acesso às reservas.
    A captura de Maduro pelos Estados Unidos e o reconhecimento de Delcy Rodríguez como presidente interina pelo Reino Unido mudaram o cenário da disputa pelas reservas venezuelanas.
    Delcy, inclusive, enviou uma carta ao rei Charles III pedindo a liberação do ouro para atender os afetados pelos terremotos de 24 de junho.
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    Fonte: G1

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