'Obamalisco': centro cultural de Obama é inaugurado em Chicago em meio a críticas ao projeto

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    Pessoas comparecem à inauguração do Centro Presidencial Barack Obama em Chicago, Illinois, em 18 de junho de 2026
    Pedro Ugarte/AFP
    Shows de estrelas internacionais e a presença de celebridades do entretenimento e da política marcaram a inauguração do Centro Presidencial Obama, nesta quinta-feira (18), em Chicago.
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    Compareceram ao evento todos os ex-presidentes dos EUA vivos: Bill Clinton, Joe Biden e o republicano George W. Bush, além do próprio homenageado. No palco, nomes como Bruce Springsteen, John Legend e U2 se apresentaram para o público que se reuniu no gramado do local, apesar da chuva.
    Instalado no South Side, região de bairros pobres onde Obama viveu durante anos, o museu, apresentado oficialmente como uma “biblioteca presidencial”, chama a atenção por sua arquitetura de linhas puras, composta por um bloco de granito cinza quase sem janelas.
    O edifício está longe de ser uma unanimidade, no entanto. Ele foi muito criticado por Trump, o que não é uma surpresa — mas especialistas de jornais como o “New York Times” fazem eco ao atual presidente.
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    O projeto foi apelidado de “Obamalisco” e chegou a ser comparado por alguns a naves da saga Star Wars.
    Segundo os arquitetos Tod Williams e Billie Tsien, responsáveis pelo projeto, a torre de 69 metros de altura remete a quatro mãos estendidas para o céu.
    O edifício representa mais um capítulo de uma tradição americana já bem consolidada. Bill Clinton, George H. Bush e Ronald Reagan construíram seus próprios museus e bibliotecas presidenciais, que contam parte de suas trajetórias e mandatos.
    Trata-se, inclusive, de uma prática regulamentada por uma lei aprovada pelo Congresso em 1955. Já se sabe também que Donald Trump pretende construir a sua própria versão em Miami, na Flórida.
    A inauguração do museu de Obama vem sendo amplamente comentada há meses. O centro custou mais de US$ 800 milhões, um valor considerado elevado para um projeto que, segundo a equipe do ex-presidente democrata, pretende ser ao mesmo tempo um espaço de memória e um centro comunitário.
    É “um refúgio de esperança”, afirma o site da Fundação Obama. A palavra “Hope” (esperança) aparece, inclusive, em destaque na entrada do complexo. De acordo com os responsáveis, 100% do custo da obra foi financiado por doações privadas.
    A instituição ocupa cerca de oito hectares no terreno que sediou a Exposição Universal de 1893. Os visitantes podem explorar arquivos escritos, fotos, vídeos e até apreciar presentes recebidos pelo ex-presidente durante seu mandato. O público também terá acesso a uma reprodução do Salão Oval na época em que Barack Obama estava na Casa Branca, antes de Donald Trump acrescentar sua decoração dourada.
    O ex-presidente Barack Obama discursa em cerimônia de inauguração do Centro Presidencial Obama, em 18 de junho de 2026, em Chicago
    Alex Brandon/AP Photo
    Trump compara centro a lixo
    Trump não deixou de criticar o centro presidencial, com ataques diretos. No início de junho, o atual chefe da Casa Branca ridicularizou o projeto do edifício de seu antecessor ao compartilhar nas redes sociais uma imagem gerada por inteligência artificial.
    A montagem substituía a estrutura original por um enorme contêiner com um saco de lixo. Ele também removeu as áreas verdes ao redor do complexo e acrescentou, em seu lugar, barracas e acampamentos de pessoas em situação de rua. A imagem vinha acompanhada da legenda: “A Biblioteca Barack Hussein Obama, daqui a 10 anos, quando estiver totalmente madura!”
    As críticas de Trump refletem uma certa resistência à arquitetura do edifício. O New York Times, por exemplo, considera que a torre é fria e pouco convidativa; o Washington Post fala em uma espécie de viagem no tempo; já o Guardian a compara a “uma prisão de ficção científica ameaçadora”.
    Mas não é apenas a arquitetura que gera controvérsia. A construção do centro em um terreno público, ao lado de bairros populares, deu origem a diversas ações judiciais que tentaram barrar o projeto.
    Embora Barack Obama afirme que o objetivo do espaço é ser acessível a todos, a realidade é que, desde o anúncio da obra, os preços dos imóveis na região dispararam, enquanto a construção de moradias de alto padrão se acelerou. Sem contar que a entrada para o museu custa US$ 30.
    Com informações da agência RFI.
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    Fonte: G1