Só que o mundo mudou. Não há juízes internacionais na cosmovisão ética de Trump. O VAR está quebrado e, como ele mesmo disse em entrevista ao jornal The New York Times, em 8 de janeiro deste ano: “Eu não preciso do direito internacional”. O que guia suas ações em relação a outros países, senão o direito, então? “Minha própria moralidade. Minha própria mente”, ele afirmou.
Portanto, não virá dos céus – e de nenhum púlpito de nenhuma corte do mundo – qualquer ator revestido de poderes legais ou morais para premiar Lula e o Brasil por estarem certos. O que resta ao governo brasileiro é fazer os cálculos de suas próprias ações com base numa lógica exclusivamente consequencialista e realista; e não apenas legalista e moralista.
Se não for assim, o Brasil corre o risco de – daqui até as eleições de outubro ou até a próxima posse presidencial, em janeiro – sofrer as consequências negativas de suas ações, mesmo agindo dentro da legalidade.
O primeiro risco é o de colecionar atitudes como as crises diplomáticas com Estados Unidos, Argentina, Israel e Paraguai, que, somadas ao longo dos meses, deem a impressão de que o país está se tornando opaco, hermético, refratário e irascível em relação a seus críticos, enquanto conduz um processo eleitoral sobre o qual uma das partes – a do candidato Flávio Bolsonaro (PL), respaldado pelos Estados Unidos e por pelo menos outros sete países da América do Sul – levanta dúvidas.
As dúvidas são infundadas, mas, de novo: não há juiz ou VAR no tipo de jogo que está sendo jogado internacionalmente em relação ao Brasil. Se o tal Escudo das Américas, por exemplo, reclamar acesso de seus representantes durante as eleições de outubro, serão 18 países levantando dúvidas infundadas contra as eleições brasileiras ao mesmo tempo.
Quem hoje vai ao tradicional índice de liberdade democrática feito pela Freedom House, encontra o Brasil classificado como um país apenas “parcialmente livre”, sobretudo por causa das medidas judiciais tomadas recentemente pelo Supremo contra influenciadores da extrema direita e empresas americanas do setor.
noticia por : UOL
