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Marco Rubio x JD Vance: o que está em jogo na disputa silenciosa para suceder Trump

“Quem gosta de JD Vance?  E de Marco Rubio?”, perguntou Donald Trump nesta segunda-feira (11), em evento na Casa Branca. Entre o tom brincalhão e sério, típico do republicano, foi uma das primeiras vezes que o presidente americano falou claramente sobre a sua sucessão, justapondo os dois favoritos para as eleições de 2028. As chances de que um deles — ou até mesmo os dois — estejam na próxima chapa republicana são altas.

JD Vance é o vice-presidente dos Estados Unidos, eleito junto com Trump em 2024. Ex-fuzileiro naval, ele é católico e, recentemente, foi encarregado de mediar a guerra contra o Irã em viagem ao Paquistão.

Já Marco Rubio é secretário de Estado americano e filho de imigrantes vindos de Cuba. O primeiro “latino” a ocupar o cargo tem acompanhado Trump em missões afora, como na China, recentemente.

Trump nunca demonstrou uma predileção por nenhum de seus “filhos”, como já se referiu carinhosamente aos dois. Vance e Rubio alternam protagonismo conforme a necessidade da administração trumpista.

Pelas normas não-escritas da política americana, seria natural que Vance, na condição de vice-presidente, fosse o favorito na corrida. Mas ele tem um currículo menos extenso que o de Marco Rubio: antes de chegar à vice-presidência, seu currículo na política se limitava a dois anos como senador por Ohio.

Rubio, por sua vez, já foi deputado estadual na Flórida por oito anos e senador por outros 14. Em 2016, ele chegou a se lançar pré-candidato à Presidência nas primárias republicanas.

O “Sonho Americano” no horizonte

JD Vance lançou um livro em 2016, que se tornou um best-seller ao contar sua história pessoal. “Era Uma Vez Um Sonho: A História de Uma Família da Classe Operária e da Crise da Sociedade Americana” (Leya, 2016) se tornou até série no Netflix. A obra, carregada de drama pessoal e superação, virou enredo irresistível de mais um devoto do Sonho Americano.

Rubio, em seu livro autobiográfico “An American Son: A Memoir” (“Um filho da América: o livro de memórias, em tradução livre”) conta história semelhante à do concorrente. Mas é em “Decades of Decadence: How Our Spoiled Elites Blew America’s Inheritance of Liberty, Security, and Prosperity” (“Décadas de Decadência: como nossas elites mimadas destruíram o legado de liberdade, segurança e prosperidade”, em tradução livre) que ele revela suas posições políticas. Para ele, os Estados Unidos verdadeiros não são a dos carros de luxo e do consumo desenfreado, mas a da família, da fé e da comunidade. 

As semelhanças entre os dois são mais visíveis do que as diferenças. Ambos têm um olhar mais cuidadoso para dentro dos EUA do que para fora e se afastam do liberalismo econômico que marcou gestões republicanas anteriores.

Por outro lado, eles discordam em temas importantes. De forma geral, Rubio é um republicano mais típico do que Vance.

O vice-presidente é mais isolacionista em política externa, enquanto Rubio segue uma linha mais agressiva. No caso do ataque ao Irã, por exemplo, essa diferença veio à tona. Trump acabou concordando com Rubio.

Ao mesmo tempo, Rubio é menos incisivo que Vance no quesito imigração. No passado, ele chegou a defender uma anistia a imigrantes ilegais. Hoje, embora sua postura seja mais próxima da linha-dura de Trump, ele ainda.

Em um discurso com cara de pré-campanha que divulgou em suas redes sociais no começo do mês, o secretário de Estado afirmou querer que os Estados Unidos continuem sendo “o lugar onde qualquer pessoa, de qualquer lugar, possa alcançar qualquer coisa”; onde “você não seja limitado pelas circunstâncias do seu nascimento, pela cor da sua pele, pela sua etnia.

Apostas em alta

Nas plataformas de previsões, por ora, a vantagem é de Vancen a Polymarket, para  36% dos usuários, o vice-presidente será o candidato republicano em 2026, contra 25% de Rubio. Na Kalshi, o resultado é semelhante: 35% contra 28%.

A diferença entre os dois, entretanto, já foi maior: em novembro do ano passado, por exemplo, a porcentagem de JD Vance estava em torno dos 60% contra aproximadamente 10% de Rubio.

Antes das próximas eleições presidenciais, os republicanos passarão por um grande teste. As “midterms”, eleições de meio de mandato, vão preencher vagas do Legislativo e testar a força de Donald Trump, que hoje chega com desaprovação de mais de 60%, perigosamente próximo de números de seu antecessor, o democrata Joe Biden. 

No evento do dia 11, após a pergunta de Trump, os aplausos para Vance foram ligeiramente mais efusivos do que o de Rubio. Trump chamou a dupla de “time dos sonhos” e sorriu. Mas o presidente fez uma ressalva, sugerindo que, por ora, o público está especulando e que a decisão será exclusivamente dele: “É uma boa ideia, mas isso não significa que vocês têm a minha aprovação”, disse ele.

noticia por : Gazeta do Povo

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