Escondido em caminhão: como Trump deixou a Turquia em voo secreto
A possibilidade de o Irã disparar um míssil portátil, também conhecido como MANPADS, levou os Estados Unidos a montar a operação secreta para que o presidente Donald Trump trocasse de avião ao deixar a Turquia, em julho. As informações foram reveladas pela imprensa americana na quarta-feira (12).
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▶️ Contexto: A operação foi revelada pelo jornal The Washington Post e confirmada pelo próprio Trump nesta semana. O presidente foi escondido em um caminhão de alimentos para deixar o avião presidencial e embarcar em outra aeronave, usada na viagem da Turquia até o Reino Unido.
O presidente apareceu em frente às câmeras embarcando no Air Force One, o avião presidencial tradicional.
No entanto, após entrar na aeronave, ele foi levado até um caminhão de alimentos conectado ao Air Force One.
Na sequência, Trump foi transportado até outro avião dos Estados Unidos, normalmente usado por autoridades, como o secretário de Guerra.
Segundo a rede americana ABC News, a operação foi planejada pelo Serviço Secreto dos Estados Unidos cerca de quatro ou cinco horas antes da decolagem prevista do avião presidencial.
A decisão foi tomada após a inteligência americana receber informações de que uma célula terrorista iraniana havia se infiltrado na Turquia com um míssil portátil, de acordo com a emissora. O Washington Post afirma que a informação veio do governo israelense.
A imprensa americana já havia noticiado que existia uma ameaça direta contra o presidente e o Air Force One. As autoridades acreditavam que o Irã tinha informações sobre os deslocamentos de Trump na Turquia.
A preocupação era de que a célula iraniana em território turco pudesse se aproximar da comitiva presidencial e disparar um míssil de um sistema MANPADS, sigla em inglês para Sistemas de Defesa Aérea Portáteis.
🔎 Para Vitelio Brustolin, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense (UFF) e pesquisador de Harvard, com base nas informações divulgadas pela imprensa americana, existem alguns modelos de mísseis que poderiam ter sido usados pelo Irã em uma ação desse tipo.
Entre os modelos estão o Misagh-1 e o Misagh-2, de origem iraniana. Outra possibilidade seria o QW-1 ou o QW-18, de origem chinesa. Todos esses modelos são disparados por meio de um lançador portátil apoiado no ombro do operador.
Mísseis desse tipo são geralmente usados em operações de defesa aérea e podem atingir aviões, helicópteros e drones.
Em geral, esses modelos têm alcance estimado de até 6 km e conseguem atingir alvos a altitudes de até 5.000 metros.
Militares iranianos disparam míssil de defesa portátil
IRNA/Divulgação
Vitelio explica que, para que uma eventual operação fosse bem-sucedida do ponto de vista iraniano, tudo dependeria de quão perto a célula conseguiria chegar do avião presidencial.
Mesmo com o Air Force One equipado com contramedidas eletrônicas, sensores de alerta, procedimentos de evasão e outras medidas de segurança, um disparo durante a decolagem poderia representar riscos.
“A proteção do Air Force One não depende de uma única defesa antimíssil. É um sistema em camadas. A primeira defesa é evitar que o míssil seja disparado, ou reduzir a possibilidade de a aeronave ser alvejada, ou de o presidente estar nela”, explica.
“Além disso, esse avião tem uma escolta militar. Mas, se fosse alvejado na decolagem, a escolta não teria utilidade”, acrescenta.
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A missão secreta
Trump havia viajado para a Turquia para participar da cúpula da Otan. O presidente deixou o país no dia 8 de julho, data em que foi feita a operação secreta de segurança.
Naquele dia, autoridades norte-americanas avaliaram que havia uma ameaça crível contra o presidente. Diante disso, o Serviço Secreto recomendou que Trump trocasse de avião ao deixar a Turquia.
Veja o passo a passo da operação:
Infográfico – Como foi a operação para retirar Trump da Turquia
Editoria de Arte/g1
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Fonte: G1
