Aliados do presidente Lula (PT) e integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) fizeram uma ofensiva pelo Podemos, que tende a se manter neutro e evitar alianças com ambos os presidenciáveis.
A convenção da sigla ocorreu nesta quinta (30) e delegou poderes para que a executiva do partido bata o martelo sobre a neutralidade até a próxima quarta-feira (5).
Emissários da campanha bolsonarista ainda não desistiram, apesar da resistência do partido, e ainda tentam convencer o Podemos a fazer uma coligação. O Planalto, por sua vez, entrou em ação para garantir a neutralidade do partido presidido pela deputada Renata Abreu (SP), assim como fez com Republicanos e PP.
A neutralidade desses partidos do centrão interessa ao governo porque evita que Flávio garanta alianças e amplie seu tempo de propaganda de televisão —atualmente, Lula é o que tem a maior fatia desse tipo de publicidade.
Segundo líderes do governo, houve uma conversa do ministro de Relações Institucionais, José Guimarães, e outros cardeais do PT com a cúpula do Podemos. A relação do governo com a sigla é considerada boa, principalmente na Câmara. O partido é liderado pelo deputado Rodrigo Gambale (SP) na Casa.
De acordo com interlocutores, a conversa foi positiva e ficou pavimentada a discussão para participação do Podemos num governo Lula 4, a depender do tamanho da bancada que a sigla fizer nesta eleição.
Pelo lado do PL, também foi aventada a possibilidade de ajuda com o fundo eleitoral. A sigla de Flávio Bolsonaro não veda a transferência de recursos para partidos aliados.
Flávio tomou um café com a presidente do Podemos nesta sexta (31), em São Paulo, organizado pelo prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB). Segundo aliados de Renata Abreu, foi oferecida uma aliança, mas a tendência segue sendo a neutralidade.
O Podemos elegeu 12 deputados na eleição passada, ficou com 27 após o fim da janela partidária e agora trabalha para ocupar mais de 30 cadeiras na Câmara. Para isso, parlamentares do partido entendem que um impulsionamento do seu fundo eleitoral seria uma boa maneira de atingir a meta.
Romeu Zema (Novo) também tentou atrair o partido para sua chapa e chegou a oferecer sua vice para um nome da sigla, sem sucesso. Até o momento, o Podemos não bateu o martelo, mas lideranças da legenda apontam que o caminho mais provável é o da neutralidade.
Apesar de considerarem importante um aumento do fundo eleitoral, deputados avaliam que um alinhamento com Flávio Bolsonaro ou Zema poderia atrapalhar o desempenho geral do partido. Hoje, 11 dos 27 congressistas da legenda estão em São Paulo, onde avaliam que um alinhamento ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e a neutralidade nacional facilitam a atração de votos.
O presidente Lula conta com os apoios do PC do B e PV, partidos federados com o PT, em uma coligação que tem ainda o PSB, o PDT e a federação PSOL-Rede. Sabendo que os partidos do centrão não entrariam na sua aliança, a cúpula petista passou a atuar para assegurar sua neutralidade, como mostrou a Folha.
Sob essa lógica, cada declaração de neutralidade de um partido do centrão será vista como uma vitória para o Planalto, que agiu também para assegurar que o Republicanos e a federação União Progressista não se alinhassem com Flávio Bolsonaro. O PSD, quarta força do centro, tem Ronaldo Caiado como candidato à Presidência.
Uma coligação é importante porque aumenta o tempo de TV e rádio de um candidato e facilita o compartilhamento de fundo eleitoral. Se ficar isolado, Flávio Bolsonaro deve ter 20% a menos de tempo de televisão do que Lula, seu principal adversário.
noticia por : UOL
