KARINE ARRUDA
DO REPÓRTERMT
O juiz João Zibordi Lara, da 2ª Vara de Peixoto de Azevedo, manteve o médico Bruno Gemilaki Dal Poz, a empresária Inês Gemilaki (mãe de Bruno) e e Eder Gonçalves Rodrigues (cunhado de Inês), obrigados a serem julgados no Tribunal do Júri. O trio responderá pela tentativa de chacina ocorrida em Peixoto de Azevedo (a 673 km de Cuiabá), em abril de 2024.
Na decisão, proferida na última quinta-feira (6), o magistrado determinou que os acusados sejam julgados pelos homicídios qualificados dos idosos Pilson Pereira da Silva e Rui Luiz Bogo, além das tentativas de homicídio contra outras vítimas, entre elas o garimpeiro Enerci Afonso Lavall, que seria o verdadeiro alvo do trio, devido a um dívida entre ele e Inês.
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A denúncia contra Bruno, Eder e Inês foi feita pelo Ministério Público Estadual (MPE) e recebida pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) em maio do ano passado, quando foi proferida a sentença de pronúncia determinando que os réus sejam submetidos ao Tribunal do Júri. Contudo, após o andamento do processo, a defesa dos acusados ajuizou recursos contra essa decisão.
Bruno e Inês pediram o afastamento da qualificadora de motivação fútil ao crime praticado contra Erneci, sob a justificativa de que a suposta dívida que ele cobrava de Inês já havia sido julgada improcedente em agosto de 2023. Porém, na decisão, o juiz considerou que, mesmo improcedente, a suposta dívida teria sido sim a motivação do crime e que a qualificadora de motivo fútil deve ser analisada pelo Conselho de Sentença.
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“Embora a vítima tenha afirmado perante a Autoridade Judiciária que se utilizou de meios extrajudiciais para receber aluguéis em atraso e danos à propriedade da vítima, fato é que o crime foi motivado por referida dívida. Houve, pois, a cobrança da dívida e o que motivou o crime praticado teoricamente em face de Enerci foi referida cobrança”, diz trecho do documento.
Além disso, as defesas de Bruno e Inês também pediram a absolvição sumária do crime de homicídio qualificado contra Enerci, já que não houve eficácia no meio utilizado pelos acusados que resultasse na morte do garimpeiro. Nesse ponto, o magistrado entendeu que os réus agiram com a intenção de matar a vítima, mesmo que o assassinato não tenha se concretizado por conta da arma de Inês ter ficado sem munição.
“Por sua vez, a sentença de pronúncia foi bastante clara no sentido de reconhecer coautoria de Inês quanto ao crime praticado por Bruno. Isto é, embora a autoria de Inês seja impossível (por ineficácia absoluta do meio), sua coautoria com relação a Bruno é possível, porquanto este realizou disparos de calibre 12 direcionados a Enerci”, pontuou o magistrado.
Por fim, o juiz manteve a sentença de pronúncia para que sejam julgados no Tribunal do Júri e reforçou que os réus agiram conscientes de seus atos.
O crime
No dia 21 de abril do ano passado, Bruno e Inês invadiram a residência do garimpeiro Enerci, em Peixoto de Azevedo, e dispararam contra as pessoas que estavam confraternizando no local. Enquanto o crime acontecia, o cunhado de Inês, Éder Gonçalves, esperava a dupla em uma caminhonete Ford Ranger, do lado de fora da casa.
Imagens capturadas por câmeras de segurança registraram o momento em que as vítimas escutaram os tiros e tentaram se proteger correndo e se jogando no chão. Em seguida, Inês atira contra os idosos Pilson Pereira da Cruz, de 69 anos, e Rui Luiz Bogo, de 81 anos, que morreram no local.
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Uma das linhas de investigação do crime, mostrada pelo
As investigações apontam que Inês foi inquilina de Enerci por mais de um ano. Ao entregar a casa, ela teria deixado dívida de aluguel, além de câmeras quebradas e outras avarias. Ela não teria aceitado quitar a dívida e ele a colocou na Justiça.
FONTE : ReporterMT
