Homens seguem na liderança global com apenas 1 em cada 7 países dirigido por mulheres

    O mundo segue com forte baixa representação das mulheres na liderança política. Apenas um em cada sete países tem uma mulher como chefe de Estado ou governo. O poder político global segue na mão dos homens.

    Esta é a conclusão de um estudo realizado pela União Interparlamentar, UIP, e pela agência ONU Mulheres, que analisou os dados da representação feminina em cargos políticos.

    Mulheres fora de decisões poderosas 

    Nos Parlamentos, por exemplo, a número de mulheres subiu para 27,5%, o que significa que mais de dois terços das casas legislativas espalhadas pelo mundo estão sendo controlados pelos homens.

    Nos gabinetes de governos nacionais, a porcentagem feminina é ainda mais baixa: 22,4%. Apenas 14 países alcançaram a paridade de gênero. Com isso, as decisões mais poderosas tomadas, no dia a dia, ficam majoritariamente em mãos de políticos num mundo, cada vez mais desafiador.

    A ONU Mulheres ressalta que este ano, apenas 28 países tinham uma mulher no comando e 101 nações nunca tiveram uma dirigente feminina. 

    E quando a mulher fica fora da liderança política, decisões que formam a paz, a segurança, e as prioridades econômicas são tomadas sem a cooperação de metade da população mundial. 

    UN Women/ Nangyalai Tanai

    Parlamentares afegãs participam de reunião sobre mulheres em cargos de tomada de decisão.

    Estagnação e regressão

    Os dados do relatório apontam uma estagnação, e em alguns casos regressão na liderança feminina especialmente no Executivo de governos.

    A pesquisa também ressalta os níveis de violência enfrentados pelas mulheres na política com intimidações e hostilidades tanto online como fora da internet. Pelo menos 76% das parlamentares relataram terem sofrido algum episódio violento.

    Para a diretora-executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, “num momento de crescente instabilidade global, escalada de conflitos e uma visível reação contra os direitos das mulheres, excluir as mulheres da liderança política enfraquece a capacidade das sociedades de responder aos desafios que enfrentam”. 

    Já a presidente da União Interparlamentar, Tulia Ackson, afirma que “a paridade é uma obrigação moral porque as mulheres têm o mesmo direito de influenciar as decisões que regem as suas vidas. Mas também é a coisa inteligente a fazer. As instituições tomam melhores decisões quando refletem as sociedades que servem.”

    Apesar do ritmo lento da mudança, mulheres em todo o mundo continuam a ultrapassar limites e a afirmar o seu lugar na vida política. A remoção de barreiras estruturais, incluindo leis discriminatórias, violência contra as mulheres na política e acesso desigual a recursos, bem como o desafio a normas sociais negativas, serão cruciais para garantir a liderança política igualitária das mulheres nos próximos anos.

    Confira os principais dados do relatório:

    • As mulheres ocupam apenas 22,4% dos cargos de ministros em nível global, uma queda em relação aos 23,3% registrados em 2024, marcando uma reversão após anos de progresso gradual.
    • Catorze países alcançaram a paridade de gênero em seus gabinetes, demonstrando que a representação igualitária é possível, mas oito ainda não têm nenhuma ministra.
    • As mulheres ocupam 27,5% das cadeiras parlamentares em todo o mundo, um ligeiro aumento em relação aos 27,2% de 2025. O aumento de apenas 0,3 ponto percentual marca o segundo ano consecutivo de crescimento mais lento registrado desde 2017, destacando a lentidão com que as mulheres estão avançando no poder de tomada de decisões políticas.
    • As mulheres também estão perdendo terreno na liderança parlamentar. Em janeiro de 2026, 54 delas ocupavam o cargo de Presidente do Parlamento em todo o mundo, representando 19,9% do total. Isso representa uma queda de quase quatro pontos percentuais em relação ao ano anterior e a primeira queda no número de mulheres Presidentes de Parlamento em 21 anos.
    • As mulheres na política enfrentam crescente hostilidade e intimidação por parte do público, tanto online quanto offline. Setenta e seis por cento das parlamentares entrevistadas relataram ter sofrido intimidação por parte do público, em comparação com 68% dos homens – uma tendência que desencoraja as mulheres a se candidatarem a cargos políticos e retarda o progresso rumo à igualdade de poder político.
    • Mesmo quando as mulheres chegam a posições de liderança, elas geralmente se concentram em uma gama restrita de pastas tradicionalmente ligadas a setores sociais.
    •  As mulheres lideram 90% dos Ministérios da igualdade de gênero e 73% dos Ministérios responsáveis ​​por assuntos da família e da infância, reforçando estereótipos de gênero de longa data na liderança política. Os homens continuam a liderar quase que exclusivamente Ministérios como defesa, assuntos internos, justiça, assuntos econômicos, governança, saúde e educação.

    FONTE : News.UN

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