Janet Yellen, ex-secretária do Tesouro dos Estados Unidos (2021-2025) e ex-presidente do Fed (Federal Reserve, o banco central americano, entre 2014 e 2018), afirmou que a inteligência artificial está contribuindo para elevar a inflação, não para reduzi-la.
“Neste momento, a IA está comprovadamente elevando a inflação, e não o contrário”, disse nesta quinta-feira (23) durante painel no Expert XP, festival de investimentos promovido pela XP Investimentos, em conversa com o economista-chefe da instituição, Caio Megale.
Segundo Yellen, o forte ciclo de investimentos em inteligência artificial tem impulsionado a demanda por semicondutores e eletricidade, pressionando os preços desses insumos e de produtos eletrônicos. Na avaliação da economista, esse conjunto de fatores impede que o Fed considere reduzir os juros neste momento.
Ela ponderou que ao longo dos próximos anos a tecnologia poderá gerar ganhos de produtividade semelhantes aos observados na segunda metade dos anos 1990, durante a difusão da internet. Por enquanto, porém, afirmou que ainda não há evidências de uma melhora significativa da produtividade, embora a IA já esteja produzindo efeitos em alguns setores.
Ao comentar o cenário inflacionário, Yellen afirmou que, há poucas semanas, havia expectativa de um cessar-fogo no Oriente Médio, o que havia contribuído para a queda dos preços do petróleo e para leituras mais favoráveis da inflação nos Estados Unidos. Esse cenário, porém, mudou com a intensificação do conflito.
Nesta quinta-feira (23), o petróleo disparou mais de 7% e superou a marca de US$ 100 por barril, voltando ao patamar de dois meses atrás. Yellen diz que isso representa mais um choque de oferta, que deve manter a inflação elevada por pelo menos mais um ano.
A alta ocorreu em meio ao agravamento do conflito entre Estados Unidos e Irã e à entrada dos houthis, grupo do Iêmen aliado dos iranianos, na guerra, aumentando os riscos para o escoamento da produção de petróleo no Oriente Médio.
Apesar de afirmar que o Fed deve preferir esperar que esses choques de oferta perderem força antes de apertar ainda mais a política monetária, Yellen disse que estaria preocupada com o risco de a inflação voltar a acelerar.
Segundo a ex-presidente do Fed, os juros devem permanecer inalterados por enquanto. Ela afirmou, no entanto, que o banco central está “muito, muito preparado” para voltar a elevá-los caso o conflito entre EUA e Irã continue ou se intensifique.
Yellen também comentou as iniciativas do atual presidente do Fed, Kevin Warsh, que criou cinco forças-tarefa para revisar aspectos da atuação do banco central americano. Uma delas será supervisionada pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga.
Para a economista, é natural que um novo presidente, especialmente alguém que já havia feito críticas à condução da política monetária, queira reavaliar esses processos.
Ela afirmou que revisões externas podem trazer contribuições relevantes, mas adicionou que o próprio Fed já analisa continuamente essas questões por conta própria.
noticia por : UOL
