Evento na Assembleia Geral da ONU reforça luta inabalável das mulheres por igualdade

    A Assembleia Geral da ONU realizou um evento de comemoração do Dia Internacional da Mulher, em antecipação à data que é celebrada neste 8 de março.

    O secretário-geral afirmou que o evento deve servir de impulso para uma busca “resiliente, unida e inabalável” pela igualdade, desenvolvimento e paz para todas as mulheres, em todos os lugares.

    ONU Mulheres/Sultan Mahmud Mukut

    Mulheres em Cox’s Bazar, Bangladesh, protestam contra a violência baseada em gênero (arquivo)

    Direitos sob ataque

    António Guterres ressaltou que desde a histórica Declaração de Pequim, que completa 30 anos, as mulheres “quebraram barreiras e remodelaram sociedades”.

    Ele alertou que as conquistas, embora muito valiosas, permanecem “frágeis e insuficientes” e que os direitos das mulheres “estão sob ataque em todos os cantos do mundo”.

    O líder da ONU apontou com preocupação o fato de que 612 milhões de mulheres e meninas vivem à sombra de conflitos armados, onde os seus direitos são muitas vezes considerados “dispensáveis”.

    Menos de dois terços das mulheres em todo o mundo participam no mercado de trabalho, e aquelas que o fazem ganham muito menos que os homens.

    Chamado à ação

    Para Guterres, séculos de discriminação são exacerbados por novas ameaças, como ferramentas digitais que frequentemente silenciam as vozes das mulheres, amplificam preconceitos e alimentam o assédio.

    Ele anunciou o compromisso da organização com um chamado à ação com quatro prioridades. A primeira define que todos as lideranças da ONU devem defender os direitos das mulheres em todas as decisões e fóruns.

    A segunda reforça o compromisso de combater retrocessos, a terceira promove o fim das desigualdades sistêmicas e a última visa proteger as mulheres defensoras dos direitos humanos que atuam na linha de frente.

    Já o presidente da Assembleia Geral, Philémon Yang, acredita que o mundo vive uma “realidade perturbadora” onde a equidade de gênero ainda está fora de alcance. Para ele, os Estados- membros devem fazer muito mais para executar seus compromissos e criar um caminho para a igualdade total.

    Uma adolescente que foi sequestrada por homens na zona rural da Etiópia expressa sua ambição em um quadro negro

    Valorização da diversidade

    O evento contou com a presença da bailarina brasileira, Ingrid Silva, que participou da sessão destacando que teve uma infância humilde onde o acesso a artes como o balé era considerado um luxo. Ela explicou que durante muitos anos foi rejeitada em companhias de dança porque seu corpo, tom de pele e cabelo não se encaixavam no estereótipo clássico de bailarina.

    Após ser aceita em uma das maiores companhias de dança de Nova Iorque, o Dance Theatre of Harlem, onde hoje é a bailarina principal, ela disse que conseguiu “expandir suas asas e florescer”.

    Se dirigindo a sua filha que assistia ao discurso, ela disse que “o palco da Assembleia Geral, e todos os espaços, devem refletir a diversidade que existe no mundo”. A bailarina defendeu equidade em acesso a oportunidades e ressaltou que o progresso só chega com ação conjunta.

    Movimento poderoso e imparável

    A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, disse que a equidade de gênero “nunca foi mais urgente e os obstáculos no caminho nunca foram tão aparentes”. Para ela, a escolhas de ação ou inação feitas agora serão marcas permanentes deixadas nas páginas da história.

    Bahous afirmou que o movimento das mulheres é poderoso e que a igualdade não deve ser temida. Ela ressaltou que quando vozes femininas estão na mesa de negociação, os acordos de paz são mais “abrangentes, inclusivos e duradouros”.

    A chefe da ONU Mulheres reforçou que tem encontrado muitas ativistas inspiradoras que reforçam a crença de que a mudança virá e que equidade traz progresso.

    Para ela, “o movimento das mulheres é imparável, com uma unidade inabalável e uma causa inegável”.

    A diretora executiva da ONU Mulheres, Sima Bahous, discursa na celebração do Dia Internacional da Mulher

    A Assembleia Geral também ouviu histórias de ativismo ao redor do mundo. Discursaram também no evento a cofundadora da equipe de Robótica Feminina Afegã, Roya Mahboob, a ativista climática Grace Yongsanguanchai, a líder da luta contra a mutilação genital feminina na África, Jaha Dukureh, a ginasta e medalhista olímpica, Aly Raisman, e a especialista em paz e segurança, Samira Rashwan.

    FONTE : News.UN

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