EUA chamam de 'absurda' avaliação do Itamaraty sobre risco de ação militar no Brasil


    Itamaraty vê risco dos Estados Unidos usarem a foça militar no Brasil depois de classificar PCC e CV como terroristas
    O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou como “absurda” a avaliação do Itamaraty de que a decisão de enquadrar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas possa abrir espaço para uma ação militar norte-americana no Brasil.
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    Em nota enviada ao g1 nesta terça-feira (7), um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que os EUA estão adotando medidas com base na própria legislação para combater os grupos brasileiros.
    “Esse comentário [sobre risco de uma ação militar] é um absurdo. Os Estados Unidos estão adotando medidas decisivas, com base em suas próprias prerrogativas soberanas, para combater narcoterroristas.”
    “Essas facções brasileiras agora operam nos Estados Unidos, e defenderemos nosso povo delas. Alegações vagas de intervenção costumam servir de pretexto para ajudar e favorecer alguns dos grupos mais violentos do mundo”, disse o porta-voz.
    👉 Em junho, o Departamento de Estado classificou as facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas, contrariando os pedidos do governo federal. A determinação abriu espaço para ações mais duras e unilaterais dos EUA contra o Brasil.
    No dia 2 de julho, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou um documento à Câmara dos Deputados afirmando haver o risco de uma eventual ação militar dos Estados Unidos em território brasileiro.
    O documento, assinado por Vieira, foi enviado em resposta a um pedido de informações do deputado Evair de Melo (Republicanos-ES) sobre a medida adotada pelo governo Trump.
    Segundo o ministro, uma operação norte-americana no Brasil é uma das possíveis consequências da classificação do PCC e do CV como organizações terroristas.
    Segundo Vieira, o governo brasileiro não foi formalmente comunicado sobre a decisão do governo dos EUA antes do anúncio feito pelo secretário de Estado, Marco Rubio.
    O ministro disse ainda que o Brasil se opôs à classificação das facções como organizações terroristas por considerar que a medida não traria benefícios e poderia gerar consequências no país.
    “A referida classificação unilateral poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal. Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional”, diz o ministro.
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    Lula e Trump
    Adriano Machado/Reuters; Evelyn Hockstein/Reuters
    Sanções
    Na semana passada, o governo Trump anunciou a primeira rodada de sanções econômicas após classificar o PCC e o CV como organizações terroristas.
    O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos aplicou restrições contra dois brasileiros, três empresas sediadas no Brasil e uma empresa portuguesa por suposta ligação com o PCC.
    As medidas incluem o bloqueio de bens eventualmente existentes nos Estados Unidos e restrições a transações envolvendo os alvos.
    👉 Veja, a seguir, quem foi incluído na lista de sanções:
    Brasileiros punidos:
    Victor Henrique de Oliveira Shimada;
    Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira.
    Empresas punidas:
    Victory Trading Intermediacão De Negocios Cobrancas E Tecnologia Ltda;
    Pixwave Solucoes De Pagamentos Ltda;
    Wave Construcoes Inteligentes Ltda;
    Avenidas Flutuantes Unipessoal Lda (de Portugal).
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    Fonte: G1

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