'Estado da União': Trump volta a ameaçar o Irã, defende domínio dos EUA nas Américas e aposta na economia para animar eleitores


    Trump diz que ‘EUA estão de volta’ e faz críticas ao governo Biden
    O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez nesta terça-feira (24) o tradicional discurso do “Estado da União”. Na fala, voltou a ameaçar o Irã, defendeu o domínio americano no hemisfério ocidental e destacou indicadores da economia para mobilizar o eleitorado.
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    ▶️ Contexto: O discurso no Congresso foi feito em meio à queda na aprovação do presidente. Aliados temem que os índices influenciem as eleições de meio de mandato.
    Também conhecidas como “midterms”, as eleições estão marcadas para 3 de novembro.
    Toda a Câmara será renovada. No Senado, um terço das cadeiras estará em disputa.
    Atualmente, as duas Casas são controladas pelos republicanos, partido de Trump.
    Pesquisas indicam que o governo pode perder ao menos uma delas.
    Trump abriu o discurso exaltando o próprio governo. Afirmou que os “Estados Unidos estão de volta, maiores, melhores, mais ricos e mais fortes do que nunca”. Também criticou o governo anterior, de Joe Biden, e disse que assumiu o país em crise.
    A política externa esteve entre os destaques. Trump citou o Irã, acusou o regime de tentar desenvolver uma arma nuclear e disse que prefere resolver a questão pela via diplomática. Ele ressaltou, no entanto, que jamais permitirá “que o maior patrocinador do terrorismo no mundo” obtenha uma.
    “Nenhuma nação deve jamais duvidar da determinação da América. Temos as Forças Armadas mais poderosas da Terra”, afirmou. “Espero que raramente precisemos usá-las. Isso se chama paz por meio da força.”
    Ainda no discurso:
    Falou sobre imigrantes ilegais, mas fez aceno.
    Bateu boca com democratas.
    Focou em números da economia.
    Criticou a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas.
    A seguir, veja em detalhes cada uma dessas declarações.
    Irã
    Trump citou a questão do Irã durante o discurso do Estado da União. Os dois países vivem um aumento de tensões em meio às negociações para um acordo que busca limitar o programa nuclear iraniano.
    Os EUA querem que o Irã limite ou encerre o programa de enriquecimento de urânio.
    O Irã afirma que a iniciativa tem fins pacíficos, mas a Casa Branca acusa o país de tentar desenvolver uma arma nuclear.
    Segundo a imprensa americana, os EUA também querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e encerrar o apoio do país a grupos armados no Oriente Médio.
    No discurso, Trump relembrou os ataques feitos pelos EUA contra o Irã em junho de 2025. Ele afirmou que, na ocasião, as forças americanas destruíram um suposto programa de armas nucleares do país.
    Segundo o presidente, o Irã foi avisado de que não deveria retomar o programa nuclear. Ainda assim, ele afirmou que o país “voltou a perseguir suas ambições nucleares”.
    “Eles já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior e trabalham para construir mísseis que em breve poderão alcançar os Estados Unidos”, disse.
    “Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, continuou.
    “Como presidente, buscarei a paz sempre que possível, mas nunca hesitarei em enfrentar ameaças aos Estados Unidos onde for preciso.”
    Imigração
    Ainda no discurso, Trump defendeu políticas anti-imigratórias e voltou a adotar um discurso duro sobre segurança nas fronteiras. Ao mesmo tempo, fez um aceno a estrangeiros que queiram viver legalmente nos Estados Unidos.
    “Sempre permitiremos a entrada legal de pessoas que amem nosso país e trabalhem duro para mantê-lo”, disse.
    Economia
    Trump usou os primeiros 40 minutos do discurso para falar sobre dados da economia. Logo na abertura, o presidente criticou a gestão anterior, de Joe Biden, afirmando que tinha assumido o país em uma crise.
    “Posso dizer, com dignidade e orgulho, que alcançamos uma transformação como ninguém jamais viu antes, uma virada que ficará para a história”, declarou. “É, de fato, uma virada histórica.”
    O presidente também destacou indicadores econômicos. Segundo ele, a inflação está em queda, a renda em alta e a economia em recuperação. O presidente afirmou ainda que a produção de energia bate recordes.
    Ele elogiou um megapacote aprovado em julho que reduz impostos, mas aumentou a dívida nacional.
    O presidente também criticou os democratas, que votaram contra o projeto. Segundo ele, a oposição quer “machucar as pessoas” com impostos altos.
    Trump também usou o discurso para criticar a decisão da Suprema Corte que derrubou tarifas impostas a outros países — entre eles o Brasil — com base em uma lei de emergência da década de 1970. Ele classificou a decisão como “frustrante”. Os ministros acompanharam a fala no plenário.
    Após a decisão da Suprema Corte que derrubou as tarifas, Trump anunciou uma nova taxa global de 15% sobre produtos importados. No discurso, o presidente afirmou acreditar que a medida poderá substituir o atual sistema de imposto de renda e aliviar a carga tributária dos americanos. Ele defendeu ainda que tarifas ajudaram a evitar conflitos internacionais.
    Já era esperado que a economia ocupasse um espaço central no discurso, já que os americanos continuam preocupados com o custo de vida. Pesquisa divulgada pela Associated Press aponta que apenas 39% dos eleitores aprovam as políticas econômicas de Trump.
    Política externa e mais
    O presidente dos EUA, Donald Trump, faz o discurso do Estado da União no plenário da Câmara do Capitólio dos Estados Unidos
    Kevin Lamarque/Reuters
    A expectativa é que Trump destaque ações na política externa. Ele deve citar o cessar-fogo na Faixa de Gaza, elogiar a operação dos EUA contra alvos nucleares do Irã e comentar o aumento das tensões no Oriente Médio.
    “Como presidente, farei a paz sempre que puder, mas nunca hesitarei em enfrentar ameaças à América onde for necessário”, afirma o trecho antecipado.
    Trump deve destacar ainda ações militares e de segurança no hemisfério ocidental. Segundo os trechos divulgados, ele afirmará que os Estados Unidos estão “restaurando a segurança e a predominância americana” na região em uma referência às operações contra o narcotráfico.
    No discurso, o presidente também:
    anunciou um acordo para que empresas de tecnologia envolvidas com inteligência artificial paguem tarifas de eletricidade mais altas em regiões com data centers;
    pressionar o Congresso por aumento no financiamento militar;
    cobrar a aprovação de uma lei que exija documento de identidade e comprovação de cidadania para votar.
    O discurso
    Obama faz o discurso do Estado da União em 2015
    GloboNews
    O discurso sobre o Estado da União é realizado desde 1790, quando o presidente George Washington fez uma fala breve, com pouco mais de mil palavras. Ao longo dos anos, a tradição mudou, e os discursos ficaram cada vez mais longos e midiáticos.
    Em 1801, Thomas Jefferson decidiu romper com a prática de falar pessoalmente ao Congresso e passou a enviar a mensagem por escrito. O formato foi mantido por mais de um século. Apenas em 1913, Woodrow Wilson retomou o modelo presencial.
    Em 1947, o presidente Harry Truman foi o primeiro a fazer o discurso com transmissão pela televisão. Quase 20 anos depois, em 1965, o presidente Lyndon Johnson decidiu realizá-lo em horário nobre para ampliar a audiência.
    Com o aumento da polarização, tornou-se comum que congressistas do partido do presidente se levantem para aplaudi-lo, enquanto os opositores permanecem sentados — e, em alguns casos, fazem provocações. Biden, por exemplo, foi chamado de mentiroso por uma deputada em 2023.
    Oficialmente, o discurso mais longo foi feito pelo presidente Bill Clinton. A fala durou 1 hora, 28 minutos e 49 segundos.
    No ano passado, o discurso de Trump durou 1 hora, 39 minutos e 32 segundos. No entanto, como ele ainda estava no primeiro ano de governo, o pronunciamento não é considerado oficialmente um Estado da União e é classificado como uma sessão conjunta do Congresso.
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    Fonte: G1

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