Início POLICIA Entenda mudanças nas carreiras policiais propostas por Tarcísio em SP

Entenda mudanças nas carreiras policiais propostas por Tarcísio em SP

As mudanças propostas pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) às carreiras das polícias Civil e Militar de São Paulo alteram parte do arcabouço legal construído até aqui e promovem principalmente alterações sobre a promoção dos profissionais.

As medidas fazem parte de um pacote de projetos encaminhado pelo titular do Palácio dos Bandeirantes à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) em 18 de março após pressão de entidades de classe desde o início da atual gestão —a valorização das forças foi promessa de campanha do governador em 2022.

Polícia Civil

No caso da Polícia Civil a maior mudança está na evolução dos servidores da terceira classe à classe especial, considerada a elite da corporação. O texto muda as atuais formas de promoção de carreira e prevê que isso se dê a partir de quatro critérios.

Entre eles estão o cumprimento mínimo de seis anos na classe em que se encontra, a obtenção de curso de aperfeiçoamento e a ausência de punições disciplinares na ficha. O curso, nesse caso, é agora específico.

O texto cria o Curso Superior de Polícia, que vem para substituir o atual requisito segundo o qual basta apenas um curso de aperfeiçomento, sem delimitar qual nem sua grade curricular.

A principal mudança, porém, condiciona a evolução da carreira a uma avaliação de desempenho satisfatória —algo calculado a partir de critérios de qualidade e quantidade de trabalho, assiduidade e pontualidade e eficiência policial.

São duas provas pelas quais um candidato deverá passar. Na primeira, ele será avaliado por seu superior hierárquico; depois, por uma autoridade maior.

A legislação atual não fala em avaliação de desempenho, e o critério de merecimento que hoje existe é na verdade mais subjetivo. Pelas regras em vigor, cabe ao Conselho da Polícia Civil aprovar ou não que um delegado evolua de classe, por exemplo, e o mais votado deles será beneficiado com a medida.

O projeto do governador para a Polícia Civil foi aprovado na semana passada e também elimina a previsão segundo a qual a promoção de uma instância a outra dentro da corporação depende da quantidade de vagas na classe imediatamente superior, o que hoje já ocorre àqueles de classe especial.

Polícia Militar

Já o projeto que altera a estrutura de carreira da PM, aprovado na terça-feira (31), condiciona a promoção à existência de vagas e à disponibilidade orçamentária e financeira.

Uma das mudanças está no fato de que aqueles que entram no ponto mais baixo da hierarquia, os chamados praças, podem chegar à classe dos oficiais após pelo menos 14 anos na corporação.

Neste caso, porém, terão de concluir com bom aproveitamento dois cursos específicos —o de oficiais especialistas ou de oficiais músicos— e cumprir outros requisitos, como processos seletivos, ter bom comportamento e não responder a processos internos ou no âmbito do Poder Judiciário.

Uma outra mudança está na extinção da quantidade de cargos existente para cada função dentro do oficialato à exceção dos cargos de coronel —que sobem dos atuais 63 para 74.

O restante passa a ser flexível. Em vez de delimitar o número de majores ou capitães, por exemplo, o texto fixa apenas o número de oficiais a ser preenchido e deixa a critério do governador a escolha de quem ocupará cada um e a partir de quando.

O tema é polêmico. Uma nota assinada por quatro entidades —Justa, Sou da Paz, Associação dos Advogados e Advogadas pela Democracia, Justiça e Cidadania e Conectas Direitos Humanos— diz que a medida pode aumentar o risco de politização da tropa e, na prática, distorce a realidade dos praças, já que o mesmo crescimento não ocorre de maneira proporcional entre uma categoria e outra.

O governo, por sua vez, diz que o atual modelo de definição do oficialato “não raro dificulta adaptações, frente às mudanças pragmáticas” e diz que a proposta permite variações “conforme a necessidade estratégica da Polícia Militar e os limites fixados em lei”.

Afirma também que “a proposta reorganiza o fluxo de promoções e amplia a progressão, com previsão de promoção de cerca de 10,6 mil soldados de 2ª para 1ª classe já em 2026, além da definição de regras mais claras e periódicas para ascensão nos demais postos e graduações já a partir deste ano”.

Entre as regras para promoção de praças, categoria em que se incluem os soldados, estão comprovada idoneidade moral, aptidão física e ótimo comportamento.

noticia por : UOL

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