Eleições no Peru: após um mês de contagem, esquerdista e ultradireitista disputam vaga no 2º turno por centenas de votos


    À esquerda, Roberto Sánchez, representante de uma coalizão de esquerda; à direita, Rafael López Aliaga, expoente da direita conservadora
    Montagem
    Esquerda e extrema direita disputam por poucas centenas de votos uma vaga no segundo turno das eleições presidenciais no Peru. Após um mês de contagem, a apuração dos votos do primeiro turno, travada por denúncias de fraude, chegou a 99,76% das urnas nesta terça-feira (12), segundo anunciou a autoridade eleitoral do país.
    Na atual contagem, o candidato da esquerda, Roberto Sánchez, aparece com 12% dos votos, só 0,09 ponto percentual à frente de Rafael López Aliaga, da extrema direita — a diferença representa algunas centenas de votos, segundo autoridades eleitorais do país.
    Já a direitista Keiko Fujimori está em primeiro lugar, com 17,17% dos votos, e irá ao segundo turno, que acontece em junho.
    👉 O primeiro turno aconteceu em 12 de abril, mas a apuração dos votos não foi concluída até agora por conta de uma série de irregularidades encontradas em atas eleitorais, que tiveram de ser examinadas por juízes (leia mais abaixo).
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    O atraso de um mês na contagem dos votos no Peru ocorreu, principalmente, por conta da contestação em massa de atas eleitorais, que, segundo as denúncias, apresentavam irregularidades e tiveram de ser examinadas pelos juízes eleitorais.
    A denúncia bloquecou quase um milhão de votos distribuídos em 5.143 atas, que precisaram ser revisados individualmente por juízes eleitorais. “Geralmente o processo de revisão de cada ata leva quase três dias”, declarou à AFP Yessica Clavijo, secretária-geral do Júri Nacional de Eleições (JNE), a autoridade eleitoral do país.
    As atas podem ser contestadas por diversos tipos de erros, como inconsistências nos números ou dados incompletos ou ilegíveis, algo comum em uma votação recorde com 35 candidatos e cinco eleições simultâneas. Quando as anomalias não podem ser corrigidas, a lei prevê uma recontagem de votos em vez da anulação das atas.
    “O objetivo das impugnações em massa, inclusive em zonas onde o candidato que reclama está em desvantagem, é tirar votos do adversário e alongar todo o processo”, disse à agência de notícias AFP o cientista político Fernando Tuesta.
    O processo eleitoral também foi marcado por falhas logísticas e episódios que aumentaram a desconfiança pública. Houve atraso na entrega de materiais eleitorais, o que impediu cerca de 50 mil pessoas de votar no dia oficial e forçou a extensão da votação por mais 24 horas — uma medida inédita no país;
    Além disso, cerca de 1.200 cédulas foram encontradas em um contêiner de lixo em Lima, o que levou o Ministério Público a abrir investigações e realizar buscas em instalações do órgão responsável pelas eleições.
    Apesar das denúncias, missões internacionais de observação, como a da União Europeia, afirmaram não haver provas concretas de fraude, embora tenham apontado “falhas graves” no processo.
    Mas, em meio à demora, o chefe do órgão e mais dois ministros renunciaram a seus cargos, e novas tensões políticas ampliaram a crise no país. Segundo JNE, os resultados finais só devem ser anunciados a partir de 15 de maio.
    A crise ocorre em um contexto de instabilidade política crônica no Peru, que teve oito presidentes em apenas dez anos.
    A complexidade também aumentou porque os eleitores votaram simultaneamente em cinco eleições diferentes, o que multiplicou o volume de dados a serem conferidos.
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    Fonte: G1

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