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Dia Mundial da FIV: mercado de fertilidade cresce e pode alcançar R$ 3 bilhões em 2026

O mercado de fertilidade e reprodução assistida deve movimentar R$ 3 bilhões no país em 2026, segundo dados da consultoria Redirection International. É o maior da América Latina e consolida o segmento como um dos que mais crescem em saúde privada, com congelamento de óvulos e FIV (fertilização in vitro), entre outros procedimentos.

O avanço, segundo especialistas, pode ser explicado pelas mudanças no perfil demográfico do Brasil, com casais tendo menos filhos e mulheres adiando a maternidade para priorizar a carreira, mas também estão ligados a taxas de infertilidade no mundo. Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 1 em cada 6 casais enfrenta dificuldades para engravidar —pouco mais de 16%.

Empresas têm investido no benefício de fertilidade para reter talentos. A prática é comum em países fora do Brasil, mas caminha para ganhar adpetos no mercado nacional. O auxílio pode ser destinado a casais heterossexuais e profissionais LGBTQIA+. Nos Estados Unidos, 42% das grandes empresas já têm pacotes do tipo, segundo a consultoria Mercer.

No Brasil, auxílios do tipo também podem ajudar a empresas no que diz respeito à Lei da Igualdade Salarial. Isso porque o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego), ao fazer os seus relatórios, considera o benefício da fertilidade como uma política profissional para mulheres dentro da empresa, incluindo licença parental e flexibilização de horários com home office ou híbrido para pais e mães, independentemente da opção sexual.

De olho nesta expansão, em 2024, o médico Carlos Nissel, especialista em reprodução humana assistida, a planejadora financeira Gabriela Varisco e a médica Patricia Flórido, também especialista em reprodução, começaram um negócio voltado para empresas que querem oferecer o benefício a seus funcionários.

A startup Nest passou a oferecer, desde então, pacotes de benefício da fertilidade a partir de R$ 2.500 para companhias com até 500 funcionários. O auxílio funciona como um plano de saúde corporativo, mas voltado à reprodução assistida, ou como os planos de bem-estar, usado para a prática de atividade física.

A ideia nasceu após o médico identificar uma lacuna no mercado. “De um lado, estão pessoas que precisam de tratamento de fertilidade ou desejam criopreservar gametas, mas pelo alto custo desses tratamentos acabavam não tendo acesso, e do outro, as empresas que cada vez mais buscam maneiras de reter seus talentos”, diz Nissel.

Patrícia explica que, para começar a comercializar os planos, foi preciso fazer uma espécie de “educação do mercado”, pois as empresas acreditavam que poderiam estar passando a impressão de que tinham um benefício a mulheres solteiras ou que estavam insinuando não querer que as funcionárias engravidassem.

“Hoje o mercado está conhecendo um pouco melhor e já vemos até uma busca ativa pelo produto, principalmente em empresas que já têm um política de parentalidade bem estruturada”, afirma ela.

Como funciona o auxílio-fertilidade?

Segundo a empresa, a Nest não atua como clínica, mas faz uma conexão entre funcionários de uma empresa com o benefício a uma rede credenciada. Dentre os procedimentos oferecidos por essas clínicas estão FIV, congelamento de óvulos ou sêmen, transferência de embriões, consultas com especialistas e planejamento reprodutivo. A startup oferece ainda um site com orientações sobre fertilidade e reprodução.

O auxílio tem diferentes modelos, que dependem do valor investido pela companhia. Em um deles, a empresa subsidia parte do tratamento e o colaborador arca com a coparticipação. No outro, voltado a companhias que ainda não desejam financiar os procedimentos, a empresa paga mensalidade à Nest e os funcionários recebem descontos na rede credenciada, arcando com o valor dos serviços utilizados.

Segundo a Nest, o benefício foi feito para atender homens, mulheres, casais heterossexuais, homoafetivos e quem deseja ter uma produção independente. “Existe uma demanda real, muitas vezes invisível. O que vemos agora é esse tema começando a ganhar espaço nas estratégias de gestão de pessoas”, diz Nissel.


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noticia por : UOL

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