Início VARIEDADES Crônica de Ação de Graças pelo escândalo do Banco Master

Crônica de Ação de Graças pelo escândalo do Banco Master

Hoje escrevo para agradecer. Afinal, passamos os últimos anos pedindo a Deus uma oportunidade e ela está aí: o escândalo do Banco Master. Um escândalo que tem direito a banqueiro trambiqueiro, capanga que se mata na prisão, relações para lá de promíscuas com ministros do STF, boatos de chantagem sexual e bilhões e bilhões de reais.

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É para jogar as mãos para o céu e agradecer, sim. Ora, se tem até a imprensa voltando a fazer seu papel de investigar, fiscalizar e cobrar! A denunciar, mesmo correndo o risco de perder uns dentes. Se tem até Paulo Gonet levando bronca de um ministro que até ontem era, no máximo, um bunda-mole. Se tem a PF fazendo outra coisa que não prender terrorista octogenário e terrorista-de-batom. Para você ver como nossas preces foram atendidas.

A oportunidade que pedimos a Deus

Ironia? De jeito nenhum! Realmente acredito que os malfeitos de Daniel Vorcaro são a oportunidade que pedimos a Deus. Ou uma faceta dela, que seja. Eis aí a oportunidade de nos vermos livres de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Talvez até de Gilmar Mendes e, de lambuja, de Cármen Lúcia, Edson Fachin e Flávio Dino. Por que não? A oportunidade de nos livrarmos de deputados, senadores e demais autoridades afundados até o pescoço nesse esquemão. Passar o Brasil a limpo? Nem tanto. Mas a vibe é essa.

Porque o escândalo do Banco Master é uma daquelas oportunidades que, como muitas das oportunidades que Deus nos dá, pode não ter vindo embaladinha do jeito que a gente queria, com uma renúncia ou talvez até uma cadeiazinha de ministro do STF, anistia, invasão dos EUA, essas coisas. Mas é assim mesmo. Nem sempre Deus nos dá a ajuda do jeito que a gente quer. Como se aprende na história do paralítico da fonte de Betesda (João 5:1-15).

Imagina só como o Brasil pode sair desse escândalo!

E se a gente pensar mais um pouquinho vai perceber que a oportunidade é maior. É gigantesca. Além de fazermos uma faxina na nossa carcomida República, temos diante de nós a oportunidade de examinarmos profundamente a consciência nacional. Sim, a minha e a sua. Essa consciência que há décadas deixou de sentir qualquer resquício de culpa para se entregar desbragadamente aos infinitos prazeres do dinheiro e do poder.

Imagina. Imagina só como o Brasil pode sair desse escândalo. Um país um pouco menos obcecado com a ostentação. Sei lá, tô viajando aqui, mas ficaria feliz com um país que desse o devido valor às coisas. No qual as pessoas, todas as pessoas, voltassem a sentir culpa. E a se arrepender, nem que fosse por medo do castigo. Imagina só um Brasil ainda Brasil, imperfeito e tal, mas um tiquinho menos malandro e ixperto, sacumé? Pô, me deixa sonhar aqui.

Obrigado, Senhor

(…) Pronto, sonhei bem sonhadinho o sonho de um homem ridículo. E brasileiro, ainda por cima! Sei que estou sonhando alto. Muito alto. Alto demais. Sei também que a queda dessa altura toda costuma ser dolorida. Mas estou sonhando e o convido a sonhar comigo. Só por hoje, vai.

E como esta é uma crônica de Ação de Graças pelo escândalo do Banco Master, ela não pode terminar sem que eu diga aqui e vocês digam aí: obrigado, Senhor. Obrigado por esta oportunidade e por todas as oportunidades que não fui capaz de antever neste texto. Inclusive aquelas oportunidades que os brasileiros certamente vamos desperdiçar. Porque vamos. O Senhor sabe que vamos. Infelizmente.

noticia por : Gazeta do Povo

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