Como uma foto se tornou um dos símbolos dos incêndios na Europa e da crise climática no mundo


    Banhistas à beira do lago Lacanau, no sudeste da França, com incêndio florestal ao fundo na sexta (24)
    MAXIMILIEN LAMY / AFP
    Maximilien Lamy, editor de fotos da AFP, estava de férias com sua esposa e filha na semana passada quando fez com o celular uma série de imagens de banhistas no sudoeste da França, atingido pelos incêndios.
    Seu instinto foi fotografar, mas ele não esperava que uma de suas fotos à beira do lago desse a volta ao mundo em questão de horas. “Não achei que fosse tomar essa proporção”, disse Lamy à AFP. “Estou completamente atordoado”.
    Ele pegou o telefone enquanto caminhava pela praia do lago, de onde tinha estacionado o carro até um restaurante na cidade turística de Lacanau.
    “Aconteceu muito rápido, porque eu estava andando depressa. Minha filha estava com muita fome e me dizia: ‘Pai, para de tirar fotos, já chega'”, contou.
    A imagem parecia “apocalíptica” e era profundamente simbólica, disse Lamy.
    A foto mostra um casal de banhistas sentado em cadeiras de praia listradas sob um guarda-sol de cores vivas em uma praia. Eles observam uma enorme coluna de fumaça se erguer ao fundo, tingindo o céu com um brilho alaranjado.
    O homem está com as pernas cruzadas, enquanto a mulher segura o telefone. Seus pertences estão espalhados ao redor.
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    ‘Alegoria’
    A foto acabou se destacando, na mídia e nas redes sociais, como um símbolo dos devastadores incêndios na França, mas também como uma crítica à omissão diante do clima.
    Alguns tentaram imaginar um diálogo entre o casal, outros sugeriram paralelos com o filme “Não Olhe para Cima” (2021), estrelado por Leonardo DiCaprio, que satiriza a apatia da sociedade diante da crise climática.
    Para o jornal francês Le Figaro, a realidade transformou-se em “uma alegoria”.
    “A catástrofe ocupa quase toda a imagem e, no entanto, de algum modo parece relegada a segundo plano”, disse o periódico, que considerou a foto como o retrato incômodo de uma geração.
    ‘Não quero culpá-los’
    Lamy disse compreender a forte repercussão. “É simplesmente um símbolo da época”, afirmou esse apaixonado por fotografia de rua.
    Na sua opinião, o casal parecia estar vendo como a catástrofe se desenrolava como se fosse um filme, do conforto da sua sala de estar. Mas o editor, que trabalha para a AFP há mais de 20 anos, advertiu que não se deve julgar o casal.
    “Não quero culpá-los (…) Ninguém sabe o que eles realmente pensavam”, sustentou.
    Embora alguns internautas tenham achado que a foto havia sido gerada com IA, Lamy afirmou que ela não foi alterada, apenas as bordas foram um pouco cortadas.
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    Fonte: G1

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