Durante o ano de 1935, mesmo período em que os judeus perderam sua cidadania na Alemanha Nazista após a promulgação das Leis de Nuremberg, o Brasil, à época liderado por Getúlio Vargas, passou a restringir o visto de imigrantes de origem judaica que tentavam fugir do antissemitismo europeu.
Com o início da Segunda Guerra Mundial, Vargas, de início, manteve uma posição de neutralidade, tentando ora sinalizar aos nazistas, ora aos parceiros americanos. Durante esse processo, a medida mais radical adotada por seu governo ocorreu em abril de 1936, quando o Itamaraty permitiu a deportação da grávida judia e comunista Olga Benário para a Alemanha de Hitler, onde, seis anos depois, ela foi assassinada em uma câmara de gás no campo de extermínio de Bernburg.
Passados quase 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial e do Estado Novo, o Brasil volta a escrever uma página sombria na relação com a comunidade judaica nacional e internacional: o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para especialistas, as ações e posicionamentos da atual gestão federal — que vão muito além de legítimas discordâncias com o governo israelense, liderado pelo adversário político Benjamin Netanyahu — têm influenciado negativamente o cotidiano dos judeus conterrâneos e têm aberto margem para uma campanha aberta de antissemitismo por expoentes de extrema-esquerda.
Dados divulgados pela Confederação Israelita do Brasil (CONIB), órgão representante da comunidade judaica brasileira, dão conta de que, entre 2022 e 2024, os casos de antissemitismo cresceram 350%. Um dos maiores picos registrados veio justamente no mês de outubro de 2023, logo após os ataques do grupo terrorista Hamas em Israel, que vitimaram mais de 1.200 israelenses, incluindo quatro brasileiros.
Em outro levantamento da mesma instituição, com 1.427 judeus brasileiros, 86% disseram considerar o antissemitismo um problema no país, e 22% declararam ter deixado de se identificar como judeus em alguma situação.
Para a professora judia e especialista em antissemitismo Daphne Klajman, “estamos diante do governo mais antissemita desde a Era Vargas”.
Ela pontua que, embora já tenha havido momentos conturbados entre o Palácio do Planalto e a comunidade judaica nacional — como quando, durante o governo Geisel, o Brasil votou a favor de uma resolução da ONU que qualificava o sionismo como uma forma de racismo, ou quando, durante a presidência de Dilma Rousseff, ela se negou a aceitar a indicação de um embaixador israelense —, para Klajman, situações como essas foram “pontuais”.
“Dentro do Brasil não havia uma excepcionalidade ou medo na existência judaica como hoje em dia. Vemos um aumento do antissemitismo não só nos números; vemos escolas judaicas pedindo para que as crianças judias não usem símbolos judaicos na rua [como a Estrela de David ou, para os homens, as kipot (solidéus)) usadas na cabeça], a suspensão do uso dos uniformes por identificarem que são de escolas judaicas e um aumento extensivo na proteção de instituições.”
Ela analisa que esse cenário se deu em razão das atitudes do governo Lula e seus “posicionamentos completamente infamatórios” contra os judeus do país.
Entre as principais declarações que marcaram Klajman, ela aponta para quando o petista afirmou que é “responsabilidade da comunidade judaica rejeitar as ações de Israel” e chamou o antissemitismo de “vitimismo”.
“Na prática, ele diz que o antissemitismo é culpa nossa por não tomar por responsabilidade um governo estrangeiro, aplicando ativamente o mito de lealdade dupla à comunidade judaica”.
Ela menciona que o presidente não faz o mesmo com outras comunidades, ou seja, não impõe responsabilidade à comunidade russa pelas ações de Putin contra a Ucrânia; não impõe responsabilidade à comunidade chinesa pelas ações ditatoriais do regime de Xi Jinping; nem à comunidade palestina ou libanesa.
Para Daniel Osowicki, professor, mestre em História e especialista em Oriente Médio, “a experiência brasileira após outubro de 2023 demonstra que, à medida que o conflito ganhou centralidade na mídia e nas redes sociais, observou-se um aumento expressivo de manifestações hostis dirigidas à comunidade judaica brasileira.”
“Em numerosos casos, judeus passaram a ser responsabilizados coletivamente pelas decisões do governo israelense, estabelecendo-se uma associação automática entre identidade judaica e política estatal israelense. O conflito deixou, assim, de permanecer restrito ao plano internacional para produzir efeitos diretos sobre uma minoria nacional que não possui qualquer responsabilidade institucional pelas decisões tomadas pelo governo de outro país”, diz o professor.
Os posicionamentos na guerra, a passividade com o Hamas e o abandono de Michel
O início da crise com Israel e com a comunidade judaica
É bem verdade que o Brasil condenou os ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro, mas as notas divulgadas pelo Itamaraty não só chamaram a atenção por sua passividade como também, diferentemente de grande parte dos países ocidentais, mantiveram certa “cautela” em relação ao Hamas.
O Ministério das Relações Exteriores, além de sequer citar o grupo terrorista nos primeiros posicionamentos pós-atentado, optou por não descrever os atos do Hamas como “terroristas”, focou em reiterar a posição do governo de compromisso com a criação de “um Estado Palestino economicamente viável” e apontou para a “urgência da retomada das negociações de paz”.
Por outro lado, diferentemente da posição diplomática do país, em suas redes sociais, Lula foi mais incisivo, condenou os “ataques terroristas realizados contra civis”, mas também, de início, não citou o nome do grupo.
Além disso, alguns partidários do mandatário celebraram os ataques terroristas. É o caso do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), que chamou os ataques palestinos de “brava resistência”.
Esses posicionamentos foram alvo de críticas por parte da oposição, cujos discursos contrastaram não somente no tom adotado em relação ao Hamas, mas também, e principalmente, no entendimento da necessidade e do direito à autodefesa dos israelenses — algo não contemplado nas notas do Itamaraty e, diversas vezes, tratado como genocídio pela pasta.
Nos meses que precederam o início da guerra entre Israel e Hamas, o governo brasileiro foi adotando uma abordagem cada vez mais anti-Israel. De acordo com um levantamento feito pela Gazeta do Povo, até junho do ano passado, o Itamaraty se posicionou mais de 60 vezes contra o governo de Benjamin Netanyahu, enquanto se posicionou em apenas 10 ocasiões contra os grupos terroristas Hamas, Houthis, Hezbollah e o próprio Irã.
Além disso, o petista pareceu não ter demonstrado preocupações com os dados alarmantes sobre o aumento do antissemitismo e o trabalho ficou para políticos da oposição.
O deputado federal Eduardo Pazuello (PL-RJ) chegou a protocolar um requerimento direcionado ao Ministério da Justiça, à época liderado por Flávio Dino, pedindo que a pasta criasse um plano para garantir a segurança das sinagogas no Brasil. O pedido nunca foi respondido publicamente por integrantes do governo.
O abandono de Michel Nisenbaum
Durante os ataques do Hamas em Israel, em outubro de 2023, os terroristas mataram três brasileiros e sequestraram um, Michel Nisembaum, natural de Niterói, no Rio de Janeiro, que foi capturado pelos palestinos ao sair de casa na tentativa de salvar sua neta no sul israelense.
Embora publicamente o presidente Lula tenha demonstrado preocupação e tenha até se encontrado com a família de Michel no Palácio do Planalto em dezembro de 2023, o governo pouco fez para tentar repatriar o judeu brasileiro — e essa reclamação veio dos próprios familiares.
Cerca de seis meses após o encontro com o presidente brasileiro na capital do país, os familiares de Michel relataram que nunca mais foram procurados pelo Palácio do Planalto e se queixaram de que o silêncio do petista contrastava com uma promessa feita por ele de que “ninguém ficaria para trás”.
A promessa em questão foi feita em novembro de 2023, quando o presidente se comprometeu a retirar os brasileiros da Faixa de Gaza, afirmando que “enquanto tiver lista e a possibilidade de a gente tirar uma pessoa, mesmo que seja uma só, a gente vai estar à disposição para mandar buscar as pessoas.”
“Realmente tivemos esperança depois que a minha mãe foi lá em dezembro [encontro no Planalto]. Ela disse para mim: ‘O avião está esperando para o Michel. Ele [Lula] vai fazer tudo para ajudar‘. Faz mais de 4 meses desde que minha mãe foi lá. Não ouvimos nada de Lula. Nada. Não sabemos nada do Michel. Nem se ele está vivo ou não”, disse, em maio de 2024, Ayala Harel, sobrinha do ex-sequestrado brasileiro.
Se, por um lado, Lula falhou em resgatar Michel, por outro conseguiu repatriar 127 pessoas de Gaza, incluindo Hasan Rabee, um palestino naturalizado brasileiro que, no passado, chegou a defender a explosão de ônibus em Israel.
Michel Nisembaum foi resgatado sem vida pelo Exército israelense durante uma operação na Faixa de Gaza em 24 de maio de 2024. O brasileiro deixou duas filhas e quatro netos.
Embora Lula tenha lamentado a morte de Michel Nisembaum nas redes sociais, no discurso seguinte à divulgação de seu falecimento, o presidente voltou a acusar Israel de “continuar matando mulheres e crianças”, e não mencionou o brasileiro assassinado.
Klajman também condena os posicionamentos do Brasil nesse caso, sobretudo quando comparado às posições do Itamaraty quanto ao suposto “sequestro” de ativistas que embarcaram nas Flotilhas rumo à Faixa de Gaza, com a alegada missão de “furar o bloqueio israelense” ao enclave e levar ajuda humanitária, e que contaram com a presença do brasileiro Thiago Ávila e da sueca Greta Thunberg.
Ela reclama que o Brasil nunca tomou “ações práticas para resgatar o Michel”.
“A única ação tomada pelo Itamaraty foi o encontro com sua família. Não se reuniram com o governo de Israel, com o governo iraniano, com o qual, por sinal, o Brasil tem uma excelente relação e que sabemos que tem uma grande influência sobre o Hamas”.
Ela exemplifica outros casos em que governos pressionaram o grupo terrorista pela libertação de seus conterrâneos, como o Kremlin, que logo após o ataque terrorista do dia 7, imediatamente apelou pela libertação dos reféns e teve seu pedido atendido pelo Hamas, que, “em reconhecimento à posição do presidente Putin”, libertou, em novembro de 2023, dois sequestrados russos.
“Em contrapartida, em uma das embarcações de Thiago Ávila, quando sabia que seria detido pelas forças israelenses, o Itamaraty na hora tomou diversas medidas diplomáticas”.
A professora diz que no dia em que uma das tripulações da Flotilha foi detida, o Brasil emitiu um comunicado afirmando que estava “acompanhando com atenção a situação do brasileiro Thiago Ávila”. Em outro comunicado, o país afirmou que “seguiria trabalhando em vista da liberação do brasileiro”.
“Com o Michel não teve acompanhamento, não teve atenção”, diz a professora.
A saída do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto
Outro fato que marcou negativamente a atual gestão de Lula com a comunidade judaica brasileira e que, para analistas, flertou com o antissemitismo foi a retirada do Brasil da Aliança Internacional de Memória do Holocausto (IHRA).
A IHRA é uma organização intergovernamental criada em 1998 que une governos e especialistas para preservarem a memória do Holocausto, e, nas palavras da instituição, “promover a educação, a memória e a pesquisa sobre o que aconteceu no passado, para construir um mundo sem genocídio no futuro”.
Em 2016, a instituição logrou êxito em aprovar sua própria definição de antissemitismo, que posteriormente foi adotada por mais de 40 países, incluindo o Brasil, que atuava como membro observador da organização desde 2021, penúltimo ano do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A saída do Brasil da IHRA não gerou apenas críticas por parte da oposição como também condenações por parte de organismos nacionais e internacionais, como a própria CONIB e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
O assunto voltou à tona no ano passado por meio de projetos idealizados por congressistas de diferentes campos políticos, como Tabata Amaral (PSB-SP) e Eduardo Pazuello (PL-RJ), ambos com o objetivo de fazer com que o Brasil voltasse a adotar a definição de antissemitismo utilizada pela Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, por meio de distintos projetos de lei (PLs).
Entretanto, as propostas, principalmente a de Tabata, foram recebidas com enorme repulsa por deputados e ativistas de extrema-esquerda, que tentaram — novamente — apontar uma suposta “interferência sionista” no país, o que, em última instância, levou especialistas a identificarem novas manifestações de antissemitismo inflamadas por políticos da base de Lula.
“É um absurdo que o Brasil, que tem tido uma postura importante perante a diplomacia internacional na cobrança do Estado de Israel, exigindo o fim do genocídio, de repente, tenha a sua posição em defesa da Palestina criticada e tornada crime”, opinou Sâmia Bomfim (Psol-SP) sobre o projeto da política paulista.
Com posicionamento semelhante, Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmou que o objetivo de Tabata, na realidade, visava colocar “uma mordaça na nossa boca, na boca dos professores, na boca de quem estuda, de quem trabalha, de quem faz uma luta contra o sionismo, contra o genocídio, contra esse Estado teocrático que hoje existe em Israel com o senhor [Benjamin] Netanyahu”.
Com a pressão exercida por políticos e militantes de esquerda, o projeto de Tabata perdeu força e nove deputados que haviam inicialmente assinado seu PL pediram a retirada de suas assinaturas, incluindo cinco membros do PT.
“A maior justificativa para o governo brasileiro deixar de adotar a definição da Internacional em Memória Holocausto é falar que essa definição, de alguma forma, impedia a crítica legítima ao Estado de Israel. Entretanto, essa definição foi feita justamente para permitir críticas a Israel”, diz Klajman.
“É uma definição que foi criada frente a um aumento do antissemitismo que se apropriava da memória do Holocausto para vilanizar judeus, não para criticar Israel, e sim para distorcer a memória do Holocausto, reduzir a realidade do Holocausto. A definição é feita por acadêmicos do mundo inteiro para definir como você pode criticar o Estado, sem cruzar a linha do antissemitismo”.
Ela diz que um país apoiar a causa palestina não é o inverso de abdicar do combate ao antissemitismo.
“A Noruega e a Irlanda, por exemplo, que seguem aderindo à definição da IHRA, são alguns dos maiores críticos do Estado de Israel e apoiadores da criação de um Estado palestino. Eles aderem à definição porque entendem a diferença entre uma crítica política e o antissemitismo. O nosso governo não é capaz de ver essa distinção”, lamenta a professora.
Lula usa Holocausto para criticar Israel
Para o governo israelense e a comunidade internacional, a gestão de Lula parecia apenas “mais um” dos inúmeros governos hostis às ações militares em Gaza até o dia 18 de fevereiro de 2024, quando o petista abriu uma crise sem precedentes não só com o governo israelense, mas com instituições representativas da comunidade judaica internacional.
Na ocasião, Lula disse que “o que está acontecendo na Faixa de Gaza e com o povo palestino não existe em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu: quando o Hitler resolveu matar os judeus”.
As palavras de Lula foram repudiadas pelo premiê Benjamin Netanyahu e por Israel Katz, ministro das Relações Exteriores de Israel, que decidiu convocar o embaixador brasileiro e declarar o presidente brasileiro persona non grata em Israel.
A crise se estende até hoje e, no estágio atual, o governo brasileiro se recusa a permitir a nomeação de um embaixador israelense em Brasília desde a saída de Daniel Zoshine, que deixou o cargo há um ano para se aposentar.
A CONIB também voltou a repudiar o presidente apontando que sua fala era uma “distorção perversa da realidade que ofende a memória das vítimas do Holocausto e de seus descendentes”.
No cenário político nacional, a fala do petista chegou a ser repudiada por integrantes da oposição, políticos do centrão e até aliados de longa data.
Jaques Wagner (PT-BA), judeu e amigo pessoal de Lula, foi um dos que criticaram a comparação. “Não se traz a máquina de morte do Holocausto para nenhuma comparação, porque fere sentimentos, inclusive os meus”.
Para Daphne Klajman, a comparação das ações entre o Exército israelense e os nazistas “é um desrespeito absoluto à memória do Holocausto”.
A crise diplomática chegou a atingir outras pastas internas, como o Ministério da Defesa, que em outubro de 2024 apontou que “questões ideológicas” teriam barrado uma licitação entre o governo brasileiro e Israel.
Na ocasião, José Múcio, chefe do ministério, disse que a tal licitação foi vencida pelos “judeus, o povo de Israel”, mas que, por “questões relacionadas à guerra, ao Hamas e a grupos políticos, e por questões ideológicas, nós não podemos aprová-la”.
O circo armado
Temendo que o tema pudesse incomodar sua tentativa de reeleição, o governo Lula, por meio do Itamaraty, organizou, em abril deste ano, um seminário sobre “Enfrentamento ao Antissemitismo”.
A própria gestão, que foi cobrada por anos por entidades judaicas pelo crescimento do antissemitismo, só pareceu se importar em ano eleitoral.
Embora estivessem presentes raras vozes conscientes, como a doutora Sofia Débora Levy, autora de livros sobre o Holocausto, e o presidente da CONIB, Claudio Lottenberg, o seminário, em alguns momentos, pareceu mais um festival de discursos anti-Israel protagonizados por figuras da extrema-esquerda — é claro, sem nenhum opositor político presente.
Entre os palestrantes estavam os polêmicos professores Arlene Clemesha e Michel Gherman.
Clemesha é uma das defensoras da ideia de que Israel comete apartheid, limpeza étnica e genocídio, além de se negar a classificar grupos como o Hamas e o Hezbollah como terroristas.
Em um debate na Folha de S.Paulo (no qual, curiosamente, o outro único debatedor era Gherman), ela chegou a afirmar que é discutível dizer se os ataques do Hamas em Israel da manhã de 7 de outubro foram terroristas, enquanto sustenta categoricamente que a ação israelense contra os pagers no Líbano, em setembro de 2024, atende a essa definição. Ela foi convidada ao seminário do Itamaraty após pressão de setores de extrema-esquerda que argumentavam que até então o evento não tinha nenhuma debatedora “antissionista”.
Por outro lado, Gherman também possui falas polêmicas e, no ano passado, foi alvo de uma nota de repúdio da Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ), a qual acusava o professor de utilizar de “sua origem judaica como instrumento de validação de discursos que ferem profundamente a memória, os sentimentos e a segurança da comunidade judaica”, após ele afirmar que Israel cometia genocídio.
E esse não foi o primeiro posicionamento do órgão judaico em repúdio ao professor: em maio de 2021 a FIERJ se posicionou após Gherman dizer que apoiadores de Jair Bolsonaro, à época presidente, “não deveriam mais ser tratados como bolsonaristas, senão como fascistas ou nazistas”. Na ocasião, a entidade afirmou que “os antepassados que pereceram nos campos de concentração discordam” e que tal fala “abre um perigoso precedente para a proliferação de mais antissemitismo e revisionismo oportunista”.
Para o Itamaraty, essas seriam figuras razoáveis para debater antissemitismo.
No seminário, foi possível escutar desde comparações entre o Gueto de Varsóvia e o “massacre” do Carandiru até as acusações de genocídio feitas por Clemesha.
Klajman contesta a presença da professora no evento: “Nada do que ela falou colabora para o fim do antissemitismo no Brasil”.
“Ela abre sua fala falando do Holocausto, mas ela descentraliza o judeu desse episódio. Ela diz que Israel instrumentaliza o Holocausto para cometer genocídio na Palestina. Mas quem está instrumentalizando esse episódio da história é ela. Ela usa a memória do Holocausto não para ajudar no combate de um ódio milenar, mas sim para sustentar seu discurso político, que prega pelo fim do único Estado judeu do mundo”.
noticia por : Gazeta do Povo
