Um turista desavisado que desembarcasse em Miami Beach na manhã ou na tarde de quarta-feira (24) haveria de anotar em seu caderninho: “Estou em Edimburgo“.
Ele logo perceberia as palmeiras ao seu redor e os termômetros apontando 93° F, o equivalente a 34° C. Mas, mesmo em um ambiente tropical, não o confundiria com o Rio de Janeiro ou Salvador.
Na festa pré-jogo do duelo entre Escócia e Brasil na Copa do Mundo, deu Escócia. Nos dias que antecederam a partida e na própria jornada de encerramento do Grupo C, os torcedores e torcedoras vestidos de azul, muitos deles de kilt, dominaram o principal ponto turístico de Miami.
“Vocês podem fazer mais gols; nós bebemos mais”, bradou um dos membros do Tartan Army, como é conhecido o exército de seguidores da equipe nacional escocesa. Com o copo em riste, em um dos bares na avenida beira-mar Ocean Drive, ele se identificou como McGinn.
Não ficou claro se era seu sobrenome ou uma referência ao principal jogador da seleção dirigida por Steve Clarke. A segunda opção parecia a mais plausível, mas nem ao citar o nome do meia o alegre torcedor permitiu a si mesmo um arroubo mais efusivo de otimismo: “Um empate fica bom para todo o mundo, não?”.
Havia também, claro, brasileiros, menos numerosos e àquela altura menos barulhentos. Alguns veriam o jogo ali mesmo, em um dos bares da região, onde as caixas de som ecoavam hits de Gusttavo Lima e Anitta. Faltou o “Samba do Approach”, de Zeca Baleiro: “Eu tirei o meu ‘green card’ e fui para Miami Beach; posso não ‘popstar’, mas já sou um ‘nouveau riche’”.
“Vai ser 3 a 0”, apostou advogado Dojiar Gomes dos Santos, 54, que curtia a praia antes de partir ao Hard Rock Stadium. “Pode botar dois gols do Vini e… O Neymar não vai jogar, né? O Êndri lá… Como fala? Endrick, isso. Ele joga? Pode entrar no segundo tempo, né? Pode ser o terceiro dele, então”, acrescentou o goiano de Anápolis, que está de férias com a família nos Estados Unidos.
Mais perto do estádio —que fica em Miami Gardens, nas cercanias de Miami—, em uma unidade do Hard Rock Cafe, os patrocinados membros do Movimento Verde Amarelo faziam o seu barulho ensaiado. Cantaram o já conhecido “em 58 foi Pelé, em 62 foi o Mané, em 70, o esquadrão”. A rima deságua em “único penta é o Brasilzão”.
A midiática batucada, gravada pelos próprios batuqueiros e transmitida nas redes sociais, não tinha a espontaneidade do McGinn que provavelmente não é McGinn. “Cheers, mate!”, brindou o escocês, ruborizado sob o sol, enquanto aguardava o jogo. “Um empate, então, é isso? Ótimo. Cheers! Bom jogo!”
noticia por : UOL
