Um grupo de pesquisadores e acadêmicos se organiza para formar a chamada Bancada da Ciência no Congresso Nacional a partir de 2027. O movimento, liderado pelo físico Ricardo Galvão e composto por nomes vindos de instituições como USP e UnB, busca ampliar a participação de cientistas na criação de leis e políticas públicas, concentrando suas candidaturas em legendas de orientação progressista.
Quem são os principais líderes dessa nova articulação política?
O nome central desse movimento é o físico Ricardo Galvão, que ganhou projeção nacional após um embate público com o governo anterior enquanto dirigia o Inpe. Ele assumiu recentemente uma cadeira na Câmara dos Deputados. Além dele, o grupo conta com figuras conhecidas, como a ex-ministra da Saúde Nísia Trindade e a ex-reitora da UnB Márcia Abrahão, ambas no PT. Outros nomes incluem a matemática Tatiana Roque, do PSB, o engenheiro Wilson Cabral de Sousa Júnior, do PDT, e a climatologista Luciana Gatti, do PSOL, evidenciando uma composição partidária alinhada à esquerda.
Quais são as principais bandeiras defendidas por esses pesquisadores?
O grupo foca sua atuação em temas sensíveis como saúde, mudanças climáticas e o ambiente universitário, que são áreas dependentes de orçamento público. Eles utilizam o combate ao chamado negacionismo como sua principal ferramenta de discurso. Na prática, esse termo é usado para classificar tanto quem rejeita dados científicos quanto quem questiona decisões políticas baseadas neles, como no caso de leis sobre licenciamento ambiental. Para esses candidatos, a ciência deve ter um papel ativo na formulação de regras estatais, combatendo o que chamam de expansão devastadora de setores econômicos.
Por que o movimento está concentrado em partidos de esquerda?
Segundo os próprios integrantes, existe uma inclinação natural da comunidade científica atual para posições progressistas em questões sociais. Ricardo Galvão argumenta que o movimento encontrou mais abertura na esquerda devido ao alinhamento da direita com discursos que ele considera anticientíficos nos últimos anos. Ele afirma que o debate político brasileiro hoje carece de uma direita comprometida com a erudição. Por outro lado, analistas apontam que a esquerda foi mais eficiente em se organizar e criar coletivos desde 2017, ocupando um espaço de articulação que ainda é vago no campo conservador.
Existe representação de cientistas no campo da direita?
A exceção mais proeminente no campo conservador é o senador Marcos Pontes, do PL. Ele defende que a ciência não deve ser tratada como um tema de esquerda ou direita e critica o que chama de ciência de bancada partidária. Para o senador, o desafio da direita não é a falta de intelectuais, mas sim a dificuldade de levar ideias conservadoras para o ambiente acadêmico, que muitas vezes é visto como um território dominado pela esquerda. Pontes acredita que o caminho para o campo liberal e conservador passa por maior presença e participação constante nos debates dentro das universidades brasileiras.
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noticia por : Gazeta do Povo
