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O Brasil está falando sobre livros. As duas maiores cidades do país estão recebendo grandes eventos literários.
Em São Paulo, acontece a Feira do Livro, no Pacaembu. Ela está em sua quarta edição e saltou de 164 para 250 eventos desde o ano passado. “A cada ano estamos acrescentando mais tijolinhos nessa construção institucional”, afirmou Paulo Werneck, diretor do evento, ao editor Walter Porto.
Contando com o feriado, os organizadores esperam receber 110 mil visitantes ao longo dos nove dias de feira e passar a fazer parte do calendário oficial da capital paulista.
Enquanto isso, o Rio de Janeiro recebe a Bienal do Livro. O evento que acontece há décadas no Riocentro é marcado por recordes de público e vendas que são superados a cada nova edição. Neste ano, a infraestrutura ainda maior é digna do título de Capital Mundial do Livro concedido à capital fluminense neste ano.
Apesar do título só ter vindo em 2025, o Rio de Janeiro já é literário há séculos. É o que comprova um recente levantamento da Folha. Os repórteres Natália Santos e Vitor Antonio mergulharam em livros brasileiros do século 19 ao início do 20 para desenhar o Rio da literatura.
Esquinas e ruas cariocas integram tramas da literatura brasileira. Da Rua do Ouvidor ao Largo da Lapa, da praia de Botafogo à praça da República, os caminhos do Rio já foram percorridos por personagens de Machado de Assis, Júlia Lopes de Almeida e Lima Barreto.
Bienal
A Bienal do Livro começou no Rio de Janeiro na última sexta (13) com o que faz de melhor: promovendo encontros. Foi no momento de maior destaque do dia de abertura que a atriz Taís Araujo superou problemas com a tradução simultânea para introduzir a nigeriana Chimamanda Adichie à plateia e à ocupante da primeira fila, Conceição Evaristo.
O evento também foi bem avaliado na organização pelo editor Walter Porto. Apesar do apertamento nos corredores entre os estandes, que parece inevitável em todas as edições, as atrações do “Book Park” tiveram filas rápidas e a venda de ingressos no sábado foi interrompida às 13h, algo que o evento nunca tinha feito.
Já nos primeiros dias, grandes editoras registraram aumentos expressivos em suas vendas em relação ao mesmo período em anos anteriores. Sextante, grupo Record, Intrínseca, Rocco e Globo Livros tiveram crescimentos de 42% a 70%. Entre os mais vendidos estão os livros de colorir, encabeçados pela série Bobbie Goods, que já vendeu dois milhões de exemplares no Brasil.
Até agora, autores como Elayne Baeta, Aline Bei e Ian Fraser passaram pelos palcos da Bienal. Os próximos dias de programação, que vai até o domingo (22), terão G.T. Karber, Marcelo Rubens Paiva, Cara Hunter e muito mais.
Feira
Já a Feira do Livro, que ocupa a praça Charles Miller em São Paulo desde sábado (14), foi aberta com apresentação do Ensemble FTM, grupo de músicos do Theatro Municipal de São Paulo, que misturou música erudita e popular. A abertura também foi marcada por temperaturas baixas e por visitantes adiantados, como apontou a repórter Carolina Faria.
Até esta quarta, passaram pela feira muitos autores na programação principal e paralela. No Palco Petrobras, a filósofa Marilena Chauí discutiu ideologia em meio ao relançamento de clássico “O que É Ideologia?”, de 1980. O médico Drauzio Varella contou sobre suas mais de cem visitas à Amazônia, as quais resultaram em seu novo livro “O Sentido das Águas: Histórias do Rio Negro”. Tati Bernardi falou de sua preferência por escrever histórias sobre si mesma e de sua opção por não se levar a sério.
Já pelo Tablado Literário, onde a Folha marca presença, passaram nomes como Luiz Felipe Pondé e Bianca Santana, ambos colunistas do jornal. Pondé apresentou seu novo livro, “Da Alma aos Ossos”, e denunciou a imposição social de uma felicidade performática. E Santana falou de seu “Quem Limpa?”, uma obra infantil sobre o trabalho doméstico e as desigualdades em torno dele.
A Feira continua até domingo (22) reunindo mais autores como Andrea Del Fuego, Pedro Bandeira, Paulo Henriques Britto e Mariana Salomão Carrara.
Além dos Livros
Um grupo de 63 tradutoras do mercado brasileiro assinou um manifesto contra as condições precárias da profissão. Segundo o Painel das Letras, as signatárias afirmam que atrasos e até calotes no pagamento “não são incomuns” por parte das editoras brasileiras. De acordo com o documento, parte dessa desvalorização é consequência da invisibilidade do trabalho da tradução no país.
Se estivesse vivo, Dalton Trevisan teria completado cem anos no último sábado. Documentos pessoais do misterioso contista brasileiro revelam um fã de Tchékhov, Machado de Assis e Manuel Bandeira. Era, como descreve o historiador Christian Schwartz, um leitor “de uma regularidade e voracidade impressionantes”. Trevisan recebe diversas homenagens ao longo dos próximos meses enquanto suas obras são relançadas pela editora Todavia.
O governo Lula não garantiu dinheiro suficiente para a compra dos livros didáticos e literários previstos pelo PNLD (Programa Nacional do Livro Didático) para este ano. A previsão para esse ano, segundo a repórter Isabela Palhares, era da aquisição de mais de 220 milhões de exemplares por um valor estimado em cerca de R$ 3,5 bilhões. Enquanto o orçamento do programa é de R$ 2,04 bilhões –R$ 1,5 bilhão menos do que o necessário.
Morreu nesta semana o jornalista e acadêmico da ABL Cícero Sandroni, aos 90 anos. Nascido em São Paulo, se mudou aos 11 anos para o Rio de Janeiro, onde desenvolveu sua carreira jornalística. Trabalhou em veículos como Tribuna da Imprensa, Correio da Manhã, Jornal do Brasil, O Globo e Fatos e Fotos.
noticia por : UOL
