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Celso de Mello apoia Cármen Lúcia, relatora do código de ética no STF

Celso de Mello, ministro aposentado e ex-presidente do STF, falou com exclusividade à coluna sobre a criação de um código de ética para o tribunal.

“Ao atribuir à ministra Cármen Lúcia a relatoria da proposta, o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Edson Fachin, emite sinal inequívoco: o código de conduta não constituirá peça meramente retórica, mas expressão de compromisso real com parâmetros objetivos de integridade, capazes de robustecer a confiança pública, resguardar a dignidade institucional da Suprema Corte e reafirmar que a credibilidade da Justiça se funda, primordialmente, na conduta exemplar de seus julgadores.

A deontologia, ao recordar os fundamentos do dever, não cerceia nem restringe a magistratura: preserva-a e a fortalece imensamente.

Afinal, a Justiça só se sustenta quando o poder do Direito é acompanhado (e legitimado) pela força da virtude dos magistrados que o aplicam, assim fortalecendo a respeitabilidade da instituição que integram.

Nisso reside a exigência central do ethos republicano.”

Alfredo Attié, presidente da APD (Academia Paulista de Direito), é crítico ao modo como o Judiciário tem se distanciado de questões sociais.

“Dando aula na Unicamp, sobre o direito ambiental e as mazelas, experiências e propostas dos povos indígenas e periféricos, em geral, dá cada vez mais pra ver como o Judiciário é distante daquilo que realmente importa.

Desde sempre, passou a sobreviver de cobrar privilégios, tendo em vista o descaso de políticas públicas, o reconhecimento dessa desimportância e o receio de que o papel da Justiça pudesse vir a se transformar.”

Há supremas exceções (Attié concorda).

As ministras Rosa Weber e Cármen Lúcia, ex-presidentes do STF, levaram a comunidades indígenas a Constituição na língua nheengatu, o tupi moderno.

Ambas visitaram presídios. Bem antes de ser ministra, Cármen levava mantimentos para presidiárias mães.

Rosa demonstrou “especial preocupação com os hipossuficientes e vulneráveis, e com as populações indígenas”, disse a ministra Regina Helena Costa, do STJ, em 2023.

Nunca é tarde para corrigir uma falha

Dias atrás, ao fazer uma busca na internet, descobri uma resenha de meu livro “Anatomia da Reportagem” escrita há 18 anos por Milton Coelho da Graça, um dos melhores jornalistas que conheci.

O texto foi publicado em 2008 no jornal virtual Comunique-se e reproduzido no Observatório da Imprensa, logo depois de a obra ter sido lançada pela PubliFolha.

Milton, com quem trabalhei, dominava todas as fases da produção jornalística. Sugeria em voz alta os títulos das matérias, dizendo o número de caracteres sem precisar escrever.

Formou uma geração de profissionais. Era rigoroso, mas gentil.

A ditadura militar que o torturou no Recife em 1964 não eliminou sua alegria de viver. Generoso e solidário, sempre o vi de bom humor. Eu o chamava de “meu guru”. Ele respondia, “meu aiatolá”.

Milton morreu em 2021, aos 90 anos, vítima da Covid-19.

A obra reuniu três excelentes jornalistas cariocas: Janio de Freitas (na orelha do livro), Mário Magalhães (em resenha na Folha) e o saudoso Milton Coelho da Graça (no texto a seguir).

Agora, o sábio deve estar rindo: quem vai confiar num jornalista investigativo que não percebeu essa peça valiosa?

“Um livro básico para ser (bom) jornalista”

‘Anatomia da Reportagem – Como investigar empresas, governos e tribunais’ é um livro para ensinar exatamente o anunciado na capa. Frederico Vasconcelos tem mais de 40 anos de profissão e é veteraníssimo repórter especial da Folha, onde trabalha desde 1985. Eu o conheço –e leio– desde que chegou de Pernambuco, logo depois de se formar na Universidade Católica de Pernambuco. A combinação de fala mansa, base intelectual sólida e implacável perseguição da verdade o tornou um dos melhores jornalistas que conheci.

E sua experiência está muito bem condensada em apenas 150 páginas. Basta apenas lê-las e segui-las (o que já estou fazendo) para aprender os fundamentos (e requintes) da reportagem investigativa. Recomendo-o a todos os estudantes de jornalismo e aos que, como eu, acreditam que sempre podemos melhorar.

(*) Milton Coelho da Graça, 77, jornalista desde 1959. Foi editor-chefe de O Globo e outros jornais (inclusive os clandestinos Notícias Censuradas e Resistência), das revistas Realidade, IstoÉ, 4Rodas, Placar, Intervalo e deste Comunique-se’


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noticia por : UOL

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