Ao todo, esse tipo de emenda correspondeu a 16% de todo o dinheiro destinado via comissões da Câmara em 2025.
De acordo com a ONG, o mecanismo reproduz a lógica do extinto “orçamento secreto”, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em 2022.
A publicação relata outros problemas:
- concentração e pulverização – cada bancada concentra a maior parte do dinheiro em um ou dois estados e espalha o restante por vários outros, o que sugere que diversos deputados não identificados repartem as verbas;
- dinheiro sem rastro -Somando todos os recursos (incluindo outros tipos de emenda), o estudo não conseguiu identificar o beneficiário de R$ 821 milhões empenhados em 2025;
- segue em 2026 – já há R$ 373,8 milhões sob autoria de lideranças neste ano, e o PT, que não aparece no levantamento de 2025, passou a adotar a prática.
A reportagem entrou em contato com a Câmara, que informou haver uma iniciativa em curso para aprimorar a transparência das emendas, com indicações de execução integradas ao sistema da Congresso Nacional, administrado pela área de TI do Senado. Diz também que está em curso uma integração maior dos dados com os sistemas do Executivo. Leia a íntegra da resposta no fim deste texto.
O UOL também entrou em contato com as lideranças de todos os partidos citados. O Republicanos diz ter seguido rigorosamente todas as disposições legais, em conformidade com o STF. O Podemos diz que a indicação de emenda de liderança é um instrumento regular, usado para encaminhar recursos a bases políticas independentemente da relação delas com os deputados. Leia as notas no fim deste texto. Os outros partidos contatados não responderam. O espaço segue aberto.
O que são as “emendas de liderança”
As emendas de comissão (chamadas de RP 8 no jargão orçamentário) ganharam força depois que o STF derrubou o orçamento secreto. Em 2022, elas somavam apenas R$ 136 milhões; em 2025, já chegavam a R$ 9,3 bilhões. Em três anos, o volume cresceu 68 vezes.
noticia por : UOL
