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"Cada escolha tem seus efeitos colaterais", afirma Abilio sobre suposta ida Wellington ao Gilmarpalooza

ANA JÁCOMO

LUÍZA VIEIRA

DO REPÓRTERMT

O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), evitou sair em defesa do correligionário, senador Wellington Fagundes, que é pré-candidato ao Governo de Mato Grosso, após a repercussão gerada na imprensa de Mato Grosso sobre a suposta ida do parlamentar ao Fórum Jurídico de Lisboa, encontro apelidado de “Gilmarpalooza” em alusão ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, um dos organizadores.

Questionado hoje (5) se a situação geraria desgaste para a imagem da direita em pleno ano eleitoral, ele enfatizou que cada ator político deve responder individualmente pela condução de sua imagem pública e pelas explicações dadas aos eleitores. “Cada escolha, principalmente no ano eleitoral, tem seus efeitos colaterais. A pessoa faz uma escolha e tem os efeitos colaterais da sua escolha“, alfinetou o prefeito.

O chefe do Executivo municipal argumentou ainda que sua rotina administrativa no Palácio Alencastro tem impedido sua participação nos debates internos da sigla sobre as composições majoritárias. “Estou totalmente fora desse processo eleitoral para governador. Estou tendo reunião direto com secretaria de saúde, educação e obras. Tenho saído da prefeitura às dez horas da noite“, explicou.

Entenda a polêmica

Segundo Wellington, a viagem ao continente europeu teve como único propósito o cumprimento de uma promessa religiosa no Santuário de Fátima.

justificativa já havia sido dada ao deputado estadual Gilberto Cattani (PL), que cobrou publicamente coerência do colega de partido, criticado abertamente a aproximação com integrantes da Suprema Corte brasileira, que estavam no evento em Lisboa. Em entrevista hoje (5), Wellington reforçou que não esteve no evento.

O deputado Cattani já me ligou, eu já falei com ele. Foi muito clara a minha explicação para ele. Ele disse que foi induzido a um erro, inclusive disse que foi induzido a uma fake news. Não tem motivo de omitir se eu tivesse ido, qual o problema de ir? Eu quero deixar claro para vocês que eu não fui. É muito fácil, para acabar a polêmica, peça a certidão se o Wellington esteve lá ou não. Entrem no site do evento e peçam lá. Eu não estive em evento e eu já não fui de propósito, porque eu sabia que a polêmica existiria.”

Wellington argumentou que viajou para agradecer o sucesso de uma cirurgia complexa realizada por sua irmã e reforçou que o deslocamento não envolveu verba pública ou custeio do Senado Federal.

Para sustentar a versão, o senador chegou a publicar foto ao lado de um sacerdote católico no tradicional ponto de peregrinação português. Contudo, a tentativa de abafar a crise de imagem gerou uma contradição imediata nas redes sociais.

No vídeo divulgado pelo próprio pré-candidato para provar a agenda religiosa, o padre aparece com o crachá oficial de identificação do Fórum Jurídico de Lisboa pendurado no pescoço, o que confirmou o vínculo com o evento que reuniu magistrados, políticos e empresários.

A incoerência alimentou ainda mais as críticas da ala da direita mato-grossense, que já vinha protestando contra a presença da comitiva do estado em Lisboa.

O desenho político defendido por Fagundes, que busca uma aliança com o MDB para consolidar a candidatura de sua nora, a deputada estadual Janaina Riva, ao Senado, esbarra na forte resistência de prefeitos e parlamentares bolsonaristas.

Enquanto setores do partido já declaram apoio a nomes como o do vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos), o episódio da viagem a Portugal amplia o isolamento de Wellington e intensifica as cobranças por um posicionamento ideológico mais rígido.

Veja o vídeo:

FONTE : ReporterMT

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