A farmacêutica britânica AstraZeneca está em negociações para se fundir com a rival americana Bristol Myers Squibb em um acordo que pode criar um dos maiores grupos farmacêuticos do mundo, avaliado em quase US$ 400 bilhões (R$ 2 trilhões).
As empresas mantiveram discussões sobre uma fusão nos últimos meses, segundo pessoas familiarizadas com o assunto. As conversas podem resultar em um acordo em breve, mas também podem ser adiadas ou fracassar, disseram as fontes.
A AstraZeneca, a segunda empresa listada mais valiosa do Reino Unido, tem um valor de mercado de cerca de 196 bilhões de libras (R$ 1,3 trilhão), enquanto a BMS vale aproximadamente US$ 133 bilhões (R$ 675,6 bilhões).
Uma combinação das duas pode ser um dos maiores negócios do setor de todos os tempos, com potencial de criar a quarta maior farmacêutica do mundo por capitalização de mercado.
O acordo liderado pelo veterano CEO da AstraZeneca, Sir Pascal Soriot, pode expandir a presença da farmacêutica no mercado americano. Também pode intensificar os temores britânicos de que as maiores empresas do Reino Unido estejam se afastando do país. As negociações ocorrem após a AstraZeneca, em junho, ter elevado o status da listagem em Nova York de sua empresa do FTSE 100, em um golpe para a Bolsa de Valores de Londres.
A estrutura exata de qualquer acordo não pôde ser determinada imediatamente, mas provavelmente exigiria tanto dinheiro quanto ações.
A AstraZeneca recusou-se a comentar. A BMS não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário.
A rival americana Pfizer fez uma oferta de grande repercussão pela AstraZeneca em 2014, que avaliava a farmacêutica em quase 70 bilhões de libras (R$ 479 bilhões). Essas discussões impulsionaram o sentimento dos investidores em um momento em que a AstraZeneca enfrentava dificuldades com fracassos de medicamentos em ensaios clínicos de fase avançada.
Soriot foi fundamental na rejeição da abordagem da Pfizer há mais de uma década, e a AstraZeneca cresceu sob sua gestão para se tornar uma potência com um portfólio líder de medicamentos oncológicos. A BMS também possui uma grande divisão de oncologia.
A AstraZeneca estabeleceu uma meta ambiciosa de receita de US$ 80 bilhões (R$ 406 bilhões) até 2030, em comparação com os US$ 58,7 bilhões (R$ 298 bilhões) que gerou no ano passado. Esse nível de crescimento depende do mercado americano, onde a empresa já obtém quase metade de suas receitas.
Soriot disse em uma teleconferência com jornalistas na semana passada que a AstraZeneca não “precisa de fusões e aquisições para entregar” sua meta de receita para 2030.
Mas nos últimos anos a empresa tem sido ativa com acordos de licenciamento na China para fortalecer seu pipeline. Qualquer acordo eclipsaria a aquisição de 2021 da AstraZeneca da empresa de biotecnologia de doenças raras Alexion por US$ 39 bilhões (R$ 198 bilhões), a maior de sua história.
A BMS tem sido apontada como uma retardatária do setor depois que seu acordo de US$ 74 bilhões (R$ 375 bilhões) para comprar a empresa de biotecnologia Celgene em 2019 não rendeu os retornos esperados. A empresa também teve que lidar com perdas potenciais massivas de receita de medicamentos essenciais que perderão a patente nos próximos anos.
Qualquer acordo transfronteiriço pode ser controverso. É provável que enfrente escrutínio político em ambos os lados do Atlântico, especialmente no Reino Unido sobre a possibilidade de a AstraZeneca usar o acordo para transferir sua sede para os EUA.
Qualquer combinação está sujeita a rigorosa análise antitruste, dado que ambas possuem grandes divisões de oncologia. Ainda assim, isso ocorre enquanto a administração do presidente americano Donald Trump tem demonstrado abertura para negócios, o que ajudou a impulsionar os volumes de fusões e aquisições nos EUA para níveis quase recordes.
As ações da BMS subiram 21% desde o início do ano, enquanto as da AstraZeneca caíram 8% no mesmo período.
noticia por : UOL
