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Aos 61 anos, funcionária da São Benedito conquista diploma; outros 20 se formam pelo projeto Bendito Saber

DO REPÓRTERMT

Aos 61 anos, Luisa Rosa de Oliveira realizou um sonho que, durante boa parte da vida, pareceu distante: voltar a estudar e concluir a formação escolar. Trabalhadora de serviços gerais, ela se formou ao lado de outros 20 colaboradores da Construtora São Benedito na tarde desta quarta-feira (19), em Cuiabá.

A cerimônia marcou a conclusão da primeira turma do projeto Bendito Saber, que oferece gratuitamente a trabalhadores da empresa a possibilidade de finalizar o Ensino Fundamental II ou o Ensino Médio por meio da Educação de Jovens e Adultos (EJA).

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As aulas foram incorporadas à rotina dos funcionários e realizadas na própria sede da construtora, no bairro Bosque da Saúde, em parceria com o Sesi.

Luisa começou a trabalhar na roça aos 10 anos, no interior de São Paulo. Na época, ouviu do pai que o trabalho era mais importante e que os estudos não fariam falta.

“Mas a vida sem estudo é muito mais difícil. Voltar a estudar aos 61 anos é uma vitória que eu não achava que seria possível. Quando entro na sala de aula, sinto que estou ativa e aprendendo”, contou.

História semelhante é a de Marcelino Cavalcante, de 46 anos. Natural de Petrolândia, no sertão de Pernambuco, o operário deixou a escola ainda no 5º ano para ajudar no sustento da família.

“No passado, precisei trocar a escola pelo sustento diário. O dinheiro vai embora, mas o conhecimento que adquiri aqui fica para sempre”, afirmou.

Segundo o CEO da Construtora São Benedito, Omar Maluf, muitos dos participantes começaram a trabalhar ainda jovens e não tiveram condições de continuar estudando.

“A gente sabe que não é fácil. Eles têm família para cuidar, enfrentam uma rotina de muito trabalho e, mesmo assim, ainda participam e estudam. Eu me emocionei junto com eles neste momento de formatura”, disse.

Omar explicou que os 21 alunos da primeira turma ajudaram a empresa e o Sesi a avaliar o formato do projeto. A expectativa é ampliar o número de vagas e formar turmas maiores nas próximas edições.

O diretor de Marketing da São Benedito, Amir Maluf, lembrou que a empresa já havia desenvolvido, anos atrás, uma espécie de escola dentro dos canteiros de obras. A proposta foi retomada e reformulada para alcançar funcionários de diferentes funções e faixas etárias.

De acordo com Amir, a conclusão dos estudos pode permitir que os trabalhadores busquem melhores posições, ingressem no ensino superior ou até escolham uma nova profissão.

“É o primeiro de muitos, com certeza. Nunca é tarde para aprender. Quanto mais se aprende, melhor”, ressaltou.

SEM DESISTÊNCIAS

A gerente do Sesi Escola de Várzea Grande, Pollyanna Coelho, explicou que levar parte da formação até o ambiente profissional facilitou a participação dos trabalhadores, que não precisaram enfrentar um novo deslocamento depois do expediente.

“Geralmente, fazemos essas aulas dentro da unidade escolar. Essa parceria foi pensada para facilitar a vida do trabalhador, que tem uma jornada diária e, no fim do dia, ainda precisaria se deslocar até a escola”, explicou.

Segundo Pollyanna, nenhum dos 21 participantes abandonou o curso.

“Ficamos muito felizes com o resultado porque não tivemos evasões nessa turma. O estudante da EJA tem uma propensão a desistir no meio do caminho. Quando estamos dentro do local de trabalho e da vivência diária dele, isso facilita para que cheguemos até o fim”, afirmou.

A formação utiliza uma metodologia de reconhecimento de saberes, que considera os conhecimentos adquiridos pelo aluno ao longo da vida. O curso é composto por 80% de atividades on-line e 20% de encontros presenciais, com duração definida conforme o desenvolvimento de cada estudante.

O Sesi disponibiliza professores, materiais e a metodologia de ensino. A construtora oferece o espaço, a estrutura e identifica os funcionários interessados em retomar os estudos.

Para Marcelino, o diploma não representa o fim da caminhada. O trabalhador agora pretende continuar estudando e transformar a experiência adquirida nos canteiros de obras em uma profissão de nível superior.

“Meu objetivo agora é cursar Engenharia Civil”, revelou.

Galeria: ALUNOS SÃO BENEDITO

FONTE : ReporterMT

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