Acusações, desconfiança e vitória dos dois lados: os movimentos de Israel e Irã após o início do cessar-fogo


    Trégua começou na madrugada de terça-feira (24), com ambos os países declarando ter vencido o conflito. Apesar da trégua, clima ainda é de apreensão na região. Israel e Irã disputam narrativa de vitória após 12 dias de conflito; entenda
    O cessar-fogo entre Irã e Israel entrou em vigor na madrugada desta terça-feira (24). Nas primeiras 24 horas, não houve novos bombardeios intensos, mas o clima seguiu tenso, com trocas de acusações e declarações de vitória dos dois lados. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que ambos os países violaram o acordo momentaneamente.
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    A trégua, articulada pelos Estados Unidos com apoio do Catar, foi estabelecida após 12 dias de confronto. Segundo autoridades dos dois países, cerca de mil pessoas morreram e mais de 3 mil ficaram feridas.
    No fim de semana, os EUA bombardearam estruturas nucleares do Irã, o que intensificou o conflito. Em resposta, o regime iraniano lançou mísseis contra uma base militar americana no Catar, na segunda-feira (23).
    Diante do risco de uma escalada ainda maior, Trump afirmou que entrou em contato com os governos de Israel e Irã para negociar um cessar-fogo. Ambos anunciaram que aceitaram a proposta.
    Após o início da trégua, os dois países divulgaram comunicados internos em que se declararam vitoriosos.
    Nesta reportagem você vai ver:
    A trégua mediada por Trump
    Os objetivos de Israel
    Os últimos ataques do Irã
    Um resumo do conflito
    Trégua mediada por Trump
    Netanyahu, Trump, Khamenei
    g1
    O cessar-fogo entre Israel e Irã foi anunciado por Trump e negociado durante uma ligação do presidente dos Estados Unidos com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. A trégua se iniciou à 1h de terça-feira, pelo horário de Brasília.
    Um funcionário da Casa Branca ouvido pela agência Reuters disse que Israel concordou com o cessar-fogo desde que o Irã não lançasse novos ataques. O governo iraniano sinalizou que cumpriria o acordo, segundo ele.
    Ainda de acordo com o funcionário, a negociação também envolveu o vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, e o enviado especial para o Oriente Médio, Steve Witkoff.
    A Reuters informou também que Trump e o vice-presidente discutiram a proposta com o emir do Catar, após o ataque iraniano à base americana no país, na segunda-feira.
    Segundo uma fonte com conhecimento das negociações, Trump disse ao emir que Israel havia aceitado o cessar-fogo. Durante o diálogo, ele também pediu ajuda do Catar para convencer o Irã a fazer o mesmo.
    Ainda segundo a agência, Teerã concordou com a proposta durante uma ligação telefônica com a participação do primeiro-ministro do Catar.
    Em um primeiro momento, o chanceler iraniano chegou a publicar em uma rede social que nenhum cessar-fogo havia sido acordado. Horas depois, no entanto, a mídia estatal do Irã noticiou que a trégua tinha entrado em vigor.
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    Israel diz que atingiu seus objetivos
    Benjamin Netanyahu em 6 de fevereiro de 2025.
    Reuters/Kent Nishimura
    O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta terça-feira que o país vai responder fortemente a quaisquer violações do cessar-fogo. Em um comunicado, ele disse que Israel “atingiu seu objetivo de eliminar a ameaça nuclear e de mísseis balísticos do Irã”.
    Depois, um porta-voz do exército de Israel confirmou que o cessar-fogo havia começado, mas alertou que “ainda há risco de perigo”.
    “O exército permanece em alerta”, declarou. “A força aérea segue pronta para remover ameaças.”
    Pouco após o início do cessar-fogo, Israel acusou o Irã de ter disparado três mísseis. Os militares israelenses responderam com um bombardeio a um radar perto de Teerã, mas se abstiveram de novos ataques após uma conversa entre Trump e Netanyahu por telefone.
    Mais tarde, em um vídeo à nação, o premiê afirmou que o país obteve uma “vitória histórica” que será lembrada por gerações. Disse ainda que Israel precisa completar sua campanha contra o eixo iraniano, derrotando o Hamas e trazendo de volta os reféns mantidos pelo grupo na Faixa de Gaza.
    Enquanto isso, as Forças de Defesa de Israel indicaram que vão voltar seus esforços para a Faixa de Gaza a fim de “desmantelar o regime” imposto pelo Hamas no território palestino.
    Os últimos ataques do Irã
    O presidente iraniano Masoud Pezeshkian
    Site presidencial do Irã/WANA (West Asia News Agency)/Divulgação via REUTERS
    Na madrugada de terça-feira, a imprensa estatal iraniana informou que o país lançou mísseis contra Israel minutos antes do início da trégua: “O cessar-fogo tem início após quatro ondas de ataques em territórios ocupados por Israel”, afirmou a Press TV.
    De acordo com as Forças Armadas israelenses, o Irã realizou ao menos cinco ataques antes da trégua. Quatro pessoas morreram na região de Beersheva, no sul do país, e outras 12 ficaram feridas.
    Em Teerã, explosões foram ouvidas por jornalistas da AFP. As detonações ocorreram por volta das 3h locais (20h30 de segunda-feira no horário de Brasília) e foram acompanhadas pelo sobrevoo de aviões militares no norte e no centro da cidade.
    O Irã afirmou que o cessar-fogo poderá interrompido caso Israel descumpra o acordo e realize novos ataques.
    Em comunicado, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, acusou Israel de iniciar a guerra e chamou o país de “terrorista”. Segundo ele, o Irã encerrou o conflito com “sucesso”, alcançando uma “grande vitória”.
    O Comando Militar do Irã também divulgou uma nota pela imprensa estatal, dizendo que Israel e os EUA precisam aprender com os “golpes devastadores” conduzidos contra o território israelense e a base americana no Catar.
    O conflito
    Por dentro do B-2 Spirit, avião ‘invisível’ que os EUA usaram para atacar o Irã
    A ofensiva começou no dia 13 de junho, quando Israel lançou uma operação preventiva para conter o avanço do programa nuclear iraniano. Em 12 dias de confronto, 974 pessoas morreram no Irã e 28 em Israel, segundo autoridades dos dois países. A maioria das vítimas é composta por civis.
    Desde o início da guerra, forças israelenses bombardearam alvos militares e nucleares em território iraniano. Em resposta, o Irã prometeu vingança e lançou mísseis contra Tel Aviv, Haifa e Jerusalém.
    Israel alega que o regime de Teerã está próximo de obter uma bomba atômica. Por isso, o governo de Benjamin Netanyahu justificou os ataques como uma tentativa de neutralizar o que considera uma ameaça à existência do país.
    No fim de semana, os Estados Unidos lançaram um ataque contra instalações nucleares iranianas. O principal alvo foi a usina de Fordow — uma instalação subterrânea a 80 metros da superfície, onde funcionavam centrífugas para enriquecimento de urânio.
    Nesta segunda-feira, o Irã retaliou e lançou mísseis contra uma base militar americana no Catar. Autoridades norte-americanas e catarianas afirmaram que os projéteis foram interceptados e que os danos foram mínimos. Não houve registro de mortes ou feridos.
    Segundo a imprensa americana, o Irã avisou os EUA e o Catar com horas de antecedência. O objetivo seria realizar uma resposta simbólica, que evitasse uma escalada no conflito.
    INFOGRÁFICO – Arte explica ataque dos EUA ao Irã e resposta de Teerã.
    Arte/g1
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    Fonte: G1

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