Na África, Lula diz que 'semente foi plantada na COP30' e que G20 deve liderar transição energética

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    Esta oportuna sessão ocorre no mesmo tempo em que estamos por duas palavras de concluirmos as negociações da COP30 no Brasil.
    No ano em que o planeta ultrapassou pela primeira vez – e talvez de forma permanente – o limite de um grau e meio acima dos níveis pré-industriais, a comunidade internacional tinha diante de si uma escolha: continuar ou desistir.
    Optamos pela primeira alternativa.
    Na COP da verdade, a ciência prevaleceu.
    O multilateralismo venceu.
    Reafirmamos nosso compromisso com o Acordo de Paris.
    Saímos de Belém com um quadro renovado de Contribuições Nacionalmente Determinadas.
    Mobilizamos a sociedade civil, a academia, o setor privado, os povos indígenas e os movimentos sociais, para fazer da COP30 a COP com a segunda maior participação da história.
    Entramos agora numa nova etapa, que exigirá esforço simultâneo em duas frentes:
    – Acelerar as ações de enfrentamento da mudança clima
    – Nos preparar para uma nova realidade climática
    O G20 cumpre papel central em ambas.
    O grupo responde por 77% das emissões globais.
    É do G20 que um novo modelo de economia deve emergir.
    O grupo é um ator-chave na elaboração de um mapa do caminho para afastar o mundo dos combustíveis fósseis.
    A COP30 mostrou que o mundo precisa enfrentar esse debate.
    A semente dessa proposta foi plantada e irá frutificar mais cedo ou mais tarde.
    A mudança do clima não é uma simples questão de política ambiental.
    É, sobretudo, um desafio de planejamento econômico.
    As prioridades estão invertidas.
    É inconcebível que não sejamos capazes de mobilizar 1 trilhão e 300 bilhões de dólares em financiamento climático, enquanto o dobro desse montante é consumido por despesas militares.
    Fortalecer a capacidade de prevenção e resposta a desastres é uma questão de vida ou morte.
    Sistemas de alerta precoce não bastam.
    O clima vai colocar à prova nossas pontes, rodovias, edifícios e linhas de transmissão.
    Vai exigir formas mais eficientes de gerir a água, cultivar alimentos e produzir energia.
    Vai obrigar milhares de pessoas e de negócios a buscarem áreas mais seguras para viver e empreender.
    Os “Princípios Voluntários para Investir em Redução de Risco de Desastres”, aprovados sob a liderança sul-africana do G20, enfatizam a necessidade de financiamento de longo prazo.
    Construir resiliência não é gasto, é investimento.
    Para cada dólar investido em adaptação, ganham-se quatro dólares em prejuízos evitados e outros benefícios sociais e econômicos.
    Mas um mundo resiliente não se faz apenas com infraestrutura.
    Quando alguém é atingido por um evento extremo, são as políticas públicas do Estado que o ajudam a se reerguer.
    Contudo, cerca de metade da população mundial não conta com proteção social.
    Quase 700 milhões de pessoas ainda sofrem com a fome.
    Vai contra nosso sentido mais elementar de justiça permitir que as maiores vítimas da crise climática sejam aquelas que menos contribuíram para causá-la.
    O Brasil lançou, na COP30, a Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática Centrada nas Pessoas.
    Nela, reforçamos três compromissos:
    – Fortalecer a proteção social
    – Apoiar pequenos produtores
    – E garantir alternativas de vida sustentáveis para comunidades que vivem nas florestas
    O G20 pode proteger cadeias alimentares por meio de medidas como compras públicas e seguros rurais.
    Também pode remunerar quem preserva as florestas por meio do Fundo Florestas Tropicais para Sempre, lançado na COP30.
    Só haverá transição justa se o G20 liderar o caminho.
    Como nos ensinou Nelson Mandela, tudo parece impossível até que seja feito.
    A hora de fazer é agora.
    Muito obrigado.

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    Fonte: G1